Pesquisa revela que isquemia renal pode causar alterações no ritmo cardíaco

15/07/2019

Estudo inédito brasileiro foi publicado em revista de renome internacional

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo, conseguiram descrever uma molécula proteica que gera alterações no ritmo do coração após um dano renal agudo. A proteína é liberada no sangue após uma isquemia renal e leva a alterações no ritmo cardíaco. O estudo ganhou a capa, no último mês, do Journal of Molecular and Cellular Cardiology. O periódico pertence ao grupo Elsevier de publicações - considerado um dos maiores do mundo – e é editado pela International Society for Heart Research.

Segundo os pesquisadores, as arritmias cardíacas são complicações frequentemente associadas a quadros de pacientes com isquemia renal. Esta ocorre quando há deficiência ou ausência de suprimento sanguíneo e, consequentemente, de oxigênio, neste órgão, como nos casos de transplante renal.

Analisando mais a fundo essa associação, um grupo de pesquisadores do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ e da UFABC, desvendaram o mecanismo responsável pelo desencadeamento das irregularidades no ritmo do coração em pacientes com danos renais dessa natureza. Eles descobriram que a proteína interleucina 1-beta (IL-1β), sintetizada – isto é, fabricada – principalmente por células do sistema imune, tem um papel “chave” nesse processo. Dessa forma, a partir do conhecimento do papel da interleucina 1-beta, pode-se avançar e testar como controlar essa proteína com medicamentos, em casos clínico, por exemplo.

O estudo, que recebeu recursos da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Facesp) e da Coordenação de Aperfeiócamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação, foi liderado pelos cientistas Emiliano Horacio Medei, diretor do Laboratório de Cardioimunologia, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ e Marcela Carneiro-Ramos da UFBA.

Fonte: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do ABC (UFABC)