Maternidade Alexander Fleming tem déficit de obstetras

10/05/2019


Em fiscalização no sábado, 4 de maio, membros da Comissão de Saúde Pública do CREMERJ e fiscais do Conselho encontraram o Hospital Maternidade Alexander Fleming sem obstetras, apesar da emergência aberta. Além disso, o centro cirúrgico e a enfermaria da unidade estavam fechados. O Conselho notificou o hospital com uma interdição ética e deu 10 dias para a adequação de recursos humanos. A Secretaria Municipal de Saúde ainda não apresentou solução efetiva ao problema.

A vistoria foi motivada por várias denúncias que o CREMERJ recebeu sobre a falta de especialistas nos finais de semana, situação que, segundo os profissionais no local, acontece desde outubro. Quando o Conselho retornou ao hospital no dia seguinte à primeira fiscalização, havia dois obstetras de plantão. Eles confirmaram que tinham sido chamados para trabalhar apenas depois da visita dos fiscais.

“Recebemos uma denúncia na sexta-feira que nos motivou a ir com urgência fiscalizar a maternidade. Queríamos entender como era possível manter um funcionamento destes com a conivência de tanta gente. Nossa intenção não é fechar nada, mas resolver o problema de maneira que a população seja assistida e os médicos tenham condições de trabalhar com segurança”, disse Margareth Portella, coordenadora da Comissão de Saúde Pública e membro do Grupo de Trabalho Materno Infantil.

Nesta quinta-feira, 9, a Comissão de Saúde Pública e membros da diretoria do Conselho se reuniram com representantes da direção da maternidade e as promotoras de Justiça Márcia Lustosa e Alessandra Honorato Neves para debater a situação da unidade. A diretora do hospital, Patrícia Santos Barbastefano, disse que o Alexander Fleming tem apenas 14 obstetras e que sua demanda seria de 37 profissionais. Dentre os 14 médicos, cinco são efetivos e nove tem contratos temporários.“Já perdemos três colegas no final de março e a previsão é que mais contratos se encerrem no mês que vem”, contou.

Segundo ela, após as fiscalizações do Conselho, a orientação da Secretaria Municipal de Saúde foi de redistribuir os médicos para que haja dois obstetras em cada plantão, sem nenhum reforço de recursos humanos previsto.

“Isso não resolve o problema. Com dois obstetras de plantão, se você tiver uma cesariana, a emergência vai ficar desassistida. Essa é uma situação insustentável que põe em risco a vida de mães e seus bebês”, afirmou a diretora do CREMERJ, Rafaella Leal.

As promotoras de Justiça não tinham ciência da situação da maternidade e se comprometeram a cobrar uma resolução da Secretaria pelos meios legais. Participaram também da reunião o corregedor Luís Guilherme Teixeira dos Santos e os conselheiros Roberto Fiszman, Walter Palis, Antônio Werneck e André Luiz Costa.