Médicos do HFI trabalham com contratos temporários

12/04/2019


Em fiscalização nesta quinta-feira, 11, no Hospital Federal de Ipanema (HFI) o CREMERJ atestou que a unidade se encontra em boas condições de funcionamento. O maior problema do hospital é a rotatividade de médicos devido à precariedade dos contratos temporários. Constatou-se que metade da mão de obra de profissionais de saúde é composta por servidores, enquanto a outra tem contratos temporários. O Departamento de Fiscalização (Defis) do CREMERJ e o conselheiro Raphael Câmara foram recebidos pela diretora-técnica da unidade, Julia Menezes, e visitaram as enfermarias, o centro cirúrgico, a farmácia e o Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

O hospital, que não tem emergência aberta, apresenta um perfil cirúrgico e, há quatro anos, tem área de oncologia. Hoje são nove salas de Centro Cirúrgico e devem ser abertas mais duas em breve. O HFI tem um total de 137 leitos e uma taxa de ocupação de 90%, segundo o Núcleo Interno de Regulação. A média de permanência nos leitos gira em torno de cinco dias. A diretora-técnica da unidade calcula que a unidade tenha realizado mais de 4.800 cirurgias em 2018.

“O Hospital de Ipanema e o Hospital da Lagoa foram considerados pelo Ministério da Saúde como os mais bem equipados entre os federais. Estamos participando do projeto Lean para otimizar o atendimento e diminuir as infecções hospitalares. Esse mês, conseguimos zerar a infecção por cateter e a infecção urinária. Há faltas pontuais aqui e ali, mas de maneira geral o hospital funciona bem”, conta Julia Menezes.

Ela relata deficiência do hospital na área de patologia. Segundo a diretora, mesmo tendo vagas liberadas pelo Ministério da Saúde, está difícil contratar médicos nessa área porque há falta de mão de obra qualificada no mercado. Com cinco patologistas na unidade, os laudos de exames estavam demorando até 30 dias para sair.

O HFI conta com 45 consultórios de ambulatório, 10 leitos de CTI e seis leitos na Unidade de Pós-Operatório. A unidade tem um aparelho de tomografia computadorizada, além de oferecer exames de mamografia digital, ultrassom, raio-x e eco-doppler.Como não é uma unidade de porta aberta, o hospital recebe pacientes pela regulação para consultas no ambulatório. A taxa de ausências nessas consultas chega a 40%. Duas ambulâncias ficam disponíveis para o hospital por uma empresa terceirizada. Outros serviços também são terceirizados, como alimentação, limpeza, rouparia, segurança e manutenção. O hospital tem, ainda, 85 residentes de várias especialidades.

“Não há déficit de médicos no hospital, mas o fato de muitos serem temporários gera instabilidade e insegurança. O CREMERJ luta para que haja concursos públicos com salários condizentes com o nível de responsabilidade que o médico merece no preenchimento dessas vagas”, disse Câmara.