Atenção Primária pode ter novo corte de equipes

29/10/2018


O presidente do CREMERJ, Sylvio Provenzano, e o conselheiro Antônio Joaquim Werneck receberam nesta quinta-feira, 25, representantes da Associação Médica de Família e Comunidade do Rio de Janeiro (AMFAc) para falar sobre os impactos dos cortes nas equipes da Saúde da Família. A medida foi anunciada pela prefeitura do Rio de Janeiro esta semana.

A prefeitura ainda não oficializou quando será, mas já avisou que cortará 300 equipes de Saúde da Família. De acordo com as representantes da AMFAc, cerca de três mil profissionais serão demitidos. Deste montante, 300 são médicos. A medida pode deixar mais de 1,2 milhão de pessoas sem cobertura do programa.

“Em uma área de extrema vulnerabilidade, a Clínica da Família é o único meio de acesso ao atendimento médico. Se as equipes e os serviços forem reduzidos, a assistência vai ficar muito comprometida, além de sobrecarregar os profissionais”, disse Ana Paula de Melo Dias, diretora de residência médica da AMFAc.

O presidente do CREMERJ informou que já solicitou uma reunião para a próxima semana com a secretária municipal de Saúde, Ana Beatriz Busch, para debater a desconstrução das Clínicas da Família.

“Quando se deixa de investir na atenção primária, futuramente, vai se gastar mais, pois o paciente vai ter a doença agravada e, muitas vezes, sem chance de cura. É preciso atuar na prevenção. Além disso, quando o paciente não tem local para os primeiros atendimentos, ele vai ter que ir ao hospital, que hoje também passa por grave crise”, disse Sylvio.

No ano passado, médicos e demais profissionais da Estrutura de Saúde da Família (ESF) do Rio de Janeiro ficaram três meses em greve. Eles exigiam o pagamento dos salários atrasados, melhores condições de trabalho e o abastecimento de medicamentos e insumos nas unidades.

Também participaram da reunião Rita Helena Borret e Marina Romano, da AMFAc.