CREMERJ fiscaliza hospitais municipais e encontra caos

18/09/2018


Os cortes no orçamento da Secretaria Municipal de Saúde promovidos pela Prefeitura do Rio de Janeiro continuam a trazer graves consequências ao atendimento da rede hospitalar do município. O CREMERJ vistoriou  este mês os hospitais municipais Evandro Freire, Pedro II, Albert Schweitzer  e Lourenço Jorge, e a situação encontrada em todas as unidades é a mesma: déficit de recursos humanos e falta de insumos, de medicamentos, de aparelhos e de manutenção. Problemas que prejudicam, e muito, a assistência à população.

O cenário no Hospital Municipal Evandro Freire,fiscalizado no último dia 14, por exemplo, é crítico. A unidade funciona atualmente com apenas 52% dos leitos ocupados devido à falta de insumos e medicamentos, que vem sendo abastecidos com margem de apenas uma semana. Dos 40 leitos de clínica médica, apenas 11 estão sendo utilizados. A ala de psiquiatria, que conta com 15 leitos, está com somente sete em funcionamento. Na terapia intensiva, apenas 20 dos 30 leitos estão ocupados, e a ala de terapia semi-intensiva encontra-se fechada. Há superlotação nas salas vermelha e amarela e pacientes sendo redirecionados para outras unidades sem passar pela supervisão médica.

A emergência pediátrica tem funcionado sem a sala amarela, devido ao fechamento dos leitos de internação. Os fiscais encontraram uma paciente ortopédica internada numa cadeira há 17 dias aguardando transferência para o INTO, e duas crianças  dividindo um leito de isolamento adulto.

O repasse de verbas da prefeitura está atrasado desde o mês passado. Os salários das equipes de julho foram quitados em duas parcelas, mas os de agosto, que deveriam ter sido depositados até o dia 10 deste mês, ainda não foram pagos.

No Hospital Municipal Pedro II, vistoriado no dia 11, o quadro também é preocupante. A falta de repasse da prefeitura tem provocado o atraso no pagamento dos salários dos funcionários, o que gera altos índices de rotatividade. Dos 30 leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta, dez encontram-se bloqueados desde janeiro deste ano. Para agravar ainda mais a situação, apenas 12 desses leitos contam com ventiladores mecânicos. No setor haviam apenas seis enfermeiros trabalhando  para atender todos os doentes.

As salas vermelha e amarela estavam superlotadas, com, respectivamente, 26 e 48 pacientes em cada, muitos acomodados em macas e poltronas. Além disso, muitos doentes em pré e pós-operatório foram encontrados internados ao lado de outros com patologias infecciosas, sem o espaçamento mínimo de segurança e correndo risco de infecção hospitalar. As médicas fiscais observaram ainda pacientes clamando por cuidado, água e ajuda para ir ao banheiro,  resultado da escassez de profissionais de enfermagem. 

No Hospital Municipal Albert Schweitzer, fiscalizado no dia 10, também é grande o número de pacientes encaminhados para unidades básicas de saúde devido ao déficit de recursos humanos. O hospital está com 20 leitos de UTI , três de UI e oito de clínica médica desativados e sem previsão de reativação. Outro problema é a dificuldade na regulação de portadores de deficiência renal crônica para clínicas satélites de referência para terapia renal substitutiva. Equipamentos como monitores e ventiladores mecânicos de transporte também estão em falta. 

No Hospital Municipal Lourenço Jorge, vistoriado no dia 06, permanece a falta de médicos neonatologistas e de clínicos no setor de Unidade de Terapia Intensiva adulta. O aparelho de tomografia está inoperante há 10 meses, e não há intensificador de imagens para realização de arteriografia e doppler arterial. Faltam monitores para inauguração da Unidade de Cuidados Intermediários, que visa estabilizar pacientes graves até a transferência para o leito de terapia intensiva, já que a UTI do hospital conta com apenas 13 vagas.

No Hospital Municipal Salgado Filho, fiscalizado ontem (17), permanece o déficit de recursos humanos, o que gera superlotação no hospital. Há pacientes internados nos corredores, em macas e em poltronas.