CRM retorna ao Darcy Vargas e encontra irregularidades

30/07/2018


A fim de avaliar as atuais condições de funcionamento do Hospital Regional Darcy Vargas, a diretoria do CREMERJ solicitou à Comissão de Fiscalização (Cofis) uma vistoria, feita em 9 de julho. Trata-se de uma instituição privada, conveniada ao SUS, que é voltada para realização de urgência e emergência nas especialidades clínica, pediátrica, cirúrgica, obstétrica e ortopédica, atendendo aos moradores de Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá. Porém, cerca de 30% dos atendimentos são destinados aos municípios vizinhos, o que impacta também no o uso de materiais e insumos.

Apesar de no dia da inspeção todos os setores estarem funcionando, desde a última visita, em junho de 2016, o hospital permanece sem equipe médica mínima. Com mais de 150 atendimentos por dia, os plantões são realizados com apenas um profissional de cada especialidade. Em conversa com o corpo clínico, todos foram unânimes em dizer que estão sobrecarregados e que o número insuficiente de profissionais oferece risco aos atendimentos, atrapalhando até o serviço de remoção de pacientes. Atualmente, os plantões contam com um clínico geral, um pediatra, um obstetra, um cirurgião geral, um ortopedista e um anestesista.

Dos 110 leitos da unidade, 90 são destinados ao SUS, divididos da seguinte forma: 20 para casos clínicos cirúrgicos masculinos e 20 femininos; 17 para obstétricos; 14 para pediátricos; cinco para UTI; 11 para serem usados a depender da necessidade e três para a sala vermelha.

A falta de estrutura também chama a atenção: o local que deveria funcionar como berçário, por exemplo, estava totalmente inadequado. Havia apenas uma incubadora, um monitor e um ventilador mecânico. No momento da visita, a luz do hospital acabou e o gerador não entrou automaticamente - levou cerca de 2 minutos para que a luz voltasse. Mesmo não havendo maternidade, eles realizam grande volume de partos, o mais preocupante é o alto risco fetal, já que a demora na transferência desses pacientes pode levar a óbitos.

No CTI adulto, três leitos foram encontrados sem oxímeto e um dos ventiladores mecânicos funcionava de forma inadequada. Já na Unidade Intermediária o número de equipamentos permanecia insuficiente. Três monitores foram providenciados e nenhum funciona adequadamente e um dos ventiladores mecânicos também não. A sala de observação pediátrica é compartilhada com a de clínica médica e o setor de trauma não conta com nenhum tipo de aparelhagem, servindo apenas para a realização de suturas e pequenos procedimentos. Outro problema são as enfermarias, que também apresentam irregularidades.

Para os serviços de diagnósticos, a unidade não possui ecocardiograma e ultrassonografia, prejudicando especialmente as gestantes, e cardiotocografia. Ao lado do aparelho de tomografia, havia um cilindro de oxigênio solto e o descarpack fora do suporte.

O checklist das medicações estava desatualizado e havia medicações vencidas no "carrinho de parada". Na farmácia faltava medicamentos básicos, como captopril, clopidogrel e omeprazol.

“Mais uma vez encaminhamos o relatório ao Ministério Público e um termo de notificação ao diretor técnico. Já havíamos detectado as mesmas irregularidades em visitas passadas e nada foi feito. Falhas como essas provocam danos enormes no funcionamento da unidade e no atendimento prestado aos pacientes”, declarou o coordenador da Cofis, Gil Simões.