Prefeitura do Rio: corte de R$ 800 milhões na Saúde

23/07/2018


Desde o início da atual gestão da prefeitura do Rio, em 2017, o CREMERJ vem denunciando os cortes no orçamento da Secretaria Municipal de Saúde e suas consequências para a rede. Hospitais estão superlotados, faltam medicamentos e recursos humanos, salários estão atrasados, equipamentos deficitários e sem manutenção, além de outros problemas. A crise também atingiu a administração da pasta e resultou no pedido de demissão do secretário Marco Antônio de Mattos, na última semana.

Uma matéria publicada neste domingo, 22, no jornal O Globo reforçou as denúncias do CRM. De acordo com a reportagem, a área da Saúde teve uma corte de R$ 800 milhões no orçamento em relação a 2016. A atenção hospitalar, por exemplo, perdeu R$ 400 milhões no ano passado. Já o programa Saúde Presente – Atenção à Saúde teve reduzido R$ 178,2 milhões. Os dados são do portal Rio Transparente. 

Denúncias feitas ao CREMERJ relatam que servidores de algumas unidades hospitalares do município já sofrem com atrasos de salário, que tradicionalmente têm acontecido nos últimos meses do ano. A Coordenação Regional de Emergência (CER) do Centro e o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla estão entre as unidades afetadas.

“O que temos visto na Secretaria Municipal de Saúde do Rio nos causa muita indignação. Em 2017 houve um corte de R$ 547 milhões. Agora em 2018 se fala em R$ 800 milhões. Vamos intensificar ainda nossas ações para impedir que este descaso continue acontecendo”, disse o presidente do CRM, Nelson Nahon.

Ações

Em dezembro de 2017, CRM entrou, na Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, com uma representação contra o prefeito Marcelo Crivella pelo não cumprimento de obrigações na área da Saúde. A medida teve como base as fiscalizações realizadas pelo Conselho nos hospitais, coordenações de emergência e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pela prefeitura do Rio, onde foram encontrados diversos problemas, como redução de leitos, superlotação, falta de recursos humanos, ausência de medicamentos, carência de aparelhos para realizações de exames e de insumos, além de atrasos nos repasses. Na representação, o CRM pediu uma averiguação de possível improbidade administrativa por parte de Crivella. 

Este ano, no início de julho, o CREMERJ entrou com outra representação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) contra o prefeito, em repúdio à sua conduta de oferecer privilégios a líderes evangélicos na realização de cirurgias de catarata e varizes nas unidades públicas da cidade do Rio.