Ministério da Saúde volta a negar déficit na rede federal

12/03/2018


A renovação dos contratos temporários dos médicos da rede federal e a realização de concurso público foram temas de uma reunião realizada na sede do Departamento de Gestão Hospitalar do Núcleo do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (DGH-NERJ) na última segunda-feira, 12. A expectativa de todas as entidades presentes era a apresentação de um cronograma para a convocação dos profissionais e a comunicação de uma data para o certame. No entanto, o secretário de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde (MS), Francisco de Assis Figueiredo, voltou a afirmar que o déficit em toda a rede é de menos de 150 médicos, e que somente esse número será convocado.  

O CREMERJ, a Frente em Defesa dos Institutos e Hospitais Federais do Rio de Janeiro, o Sindicato dos Médicos do Rio Janeiro (SinMed-RJ), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), a Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) e representantes do corpo clínico do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) participaram do encontro e se posicionaram contra as afirmações do representante do MS. 

 “O que vimos nesta reunião é um absurdo. Uma total falta de responsabilidade com a saúde da população. O secretário insistiu que o estudo encomendado pelo MS está correto e que a rede carece de pouquíssimos profissionais. Mas essa não é a realidade encontrada nos seis hospitais federais e nos três institutos que ficam no Rio. Um documento entregue ao CREMERJ pelo ex-diretor do HFB, Gilson Max, apontou que, somente para a nova emergência, são necessários 160 médicos. Para os leitos de retaguarda, mais 190. Apenas nessa unidade, o déficit já supera o estudo do MS”, chamou a atenção o presidente do CRM, Nelson Nahon.

O defensor público da União Daniel Macedo informou que vai solicitar ao MS o levantamento feito pelo Hospital Sírio-Libanês. Ele também vai requisitar aos diretores dos hospitais a relação de necessidade de recursos humanos em cada serviço e confrontar com a lista do ministério.

O secretário de Assistência à Saúde anunciou, durante a reunião, que vai convocar profissionais para a emergência do HFB, inaugurada em 28 de fevereiro sem pessoal suficiente para fazer o atendimento. Francisco de Assis Figueiredo não informou o quantitativo, a forma de contratação nem quando eles começam a trabalhar.

Também estiveram presentes o diretor do DGH, Alessandro Magno Coutinho; o coordenador geral de Assistência do Departamento de DGH, Luiz Augusto Vianna; e o coordenador de Administração do DGH, André Tadeu de Sá.