INC presta homenagem aos envolvidos no transporte de corações

05/03/2018


O Instituto Nacional de Cardiologia (INC) prestou homenagem, nesta segunda-feira, 05, aos profissionais do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da Força Aérea Brasileira (FAB) que estiveram envolvidos na captação e transporte dos dois corações transplantados no dia 06 de fevereiro, um para o menino Matheus, de 12 anos, vindo de Curitiba e outro para uma mulher de 26 anos, vindo de Duque de Caxias. O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, esteve presente no evento e ressaltou a importância do programa de transplantes e de outros serviços públicos de excelência que comprovam a viabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

No dia dos transplantes, a equipe envolvida foi fazer a captação do órgão em Curitiba e contou com a ajuda da FAB para realizar o transporte aéreo entre os estados. Por um acordo de cooperação técnica assinado em 2013 com o Ministério da Saúde, uma aeronave da Força Aérea fica reservada exclusivamente para o programa de transplantes, priorizando o transporte rápido e seguro.

Chegando ao aeroporto Antônio Carlos Jobim, o coração foi transportado de helicóptero com a ajuda do Corpo de Bombeiros. O órgão trazido de Duque de Caxias também precisou ser transportado de helicóptero até o Palácio Guanabara em vista de bloqueios na Avenida Brasil causados por tiroteios. Por terra, tanto o coração que veio de Curitiba como o órgão que veio da Baixada Fluminense foram escoltados até o INC pelo grupamento tático de motociclistas da Polícia Militar.

Durante a cerimônia, os homenageados receberam diplomas das mãos de pacientes transplantados. Um deles foi Matheus, que, há menos de um mês com o coração novo, fez questão de participar do evento e agradecer:

“Queria dizer muito obrigado à equipe de médicos, a todo mundo do INC e também à PM, aos bombeiros e à FAB. Se não fosse por vocês, eu não estaria aqui. Eu não me importo de ter que tomar remédio para o resto da vida. Depois que eu acordei da anestesia, eu já tinha percebido que estava tudo diferente. Antes, a minha respiração era muito ruim, mas eu achava que era normal. Hoje já posso fazer tudo”, disse o menino, emocionando a plateia.

Jaqueline Sampaio Miranda, responsável pelo serviço de transplante cardíaco adulto do INC, destacou que o programa é um trabalho conjunto:

“A gente não faz nada sozinho, ainda mais na área de transplantes. Desde a captação, são muitos profissionais envolvidos e o transporte rápido e seguro é uma etapa essencial para o sucesso do transplante. Por isso, temos muito a agradecer hoje”, destacou.

Entre a captação do órgão e o fim do transplante há uma verdadeira corrida contra o tempo. Segundo o diretor do INC, João Manuel de Almeida, o ideal é que esse processo seja feito em um intervalo próximo a quatro horas, para aumentar as chances de sucesso na cirurgia:

“Sabemos que o ideal é não passar muito de quatro horas do momento em que o coração é retirado até ele voltar a bater. Nessas horas, contamos não só com a precisão técnica para a qual somos treinamos, mas também com a sorte”, acrescentou.