ESF: Rio pode ficar sem serviço de ultrassonografia

05/02/2018


Com pagamentos atrasados há oito meses, as empresas que prestam serviço de ultrassonografia para a Estratégia Saúde da Família (ESF) do município do Rio de Janeiro podem paralisar os atendimento a qualquer momento, caso os repasses não sejam regularizados nos próximos dias. O anúncio foi feito durante reunião no CREMERJ nessa segunda-feira, 05.

A clínica que atende nas regiões Centro, Zona Sul, Zona Norte e Santa Cruz totaliza a cobertura de exames de 71 Clínicas da Família. Nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2017 e janeiro de 2018, efetuou 6.200, 5.834, 5.591 e 4.257 exames, sendo 979, 1.100, 1.334 e 814 exames obstétricos, respectivamente. A empresa que cobre a Ilha do Governador realizava 20 mil exames por mês e teve a redução de 6 mil procedimentos.

As empresas que realizam os exames de imagem são contratadas pelas Organizações Sociais (OSs) que gerem as Clínicas da Família. Durante o encontro, o superintendente da Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde, Leonardo Graever, reconheceu o atraso da prefeitura do Rio nos repasses de verbas para o pagamento das empresas.

Os gestores das prestadoras de serviço apresentaram para o superintendente da SMS dados referentes aos pagamentos em atraso e comunicaram que não têm mais condições de manter o  serviço. Caso os repasses não sejam regularizados, as empresas informaram que pretendem suspender os atendimentos e os pacientes terão que entrar na fila do Sistema de Regulação (Sisreg) para realizar os exames. Leonardo Graever se comprometeu a dar uma resposta em 48 horas.

Devido à crise financeira do município, que também tem afetado a ESF, seis unidades do programa estão sem responsável técnico, 26 equipes reduziram a carga horária de 40 para 20 horas semanais e 56 estão com quadro de médicos incompleta. Em 2017, cerca de 500 médicos pediram demissão das Clínicas da Família.

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, informou que o Conselho entrará com uma ação na Defensoria Pública do Estado (DPE-RJ) em defesa da assistência da população.

"Os serviços de ultrassonografia são imprescindíveis para se ter uma atenção  de primária de qualidade. O acompanhamento de pré-natal, por exemplo, pode ser prejudicado", alertou Nahon.

Os conselheiros do CRM Pablo Vazquez e Gil Simões também participaram da reunião.