Plenária aborda tratamento de militares dependentes químicos

06/12/2017


O trabalho de auxílio a militares dependentes de drogas lícitas e ilícitas, desenvolvido pelo Grupo de Recepção e Acolhimento Multidisciplinar (Gram) do Corpo de Bombeiros, foi apresentado em plenária temática, nesta terça-feira, 5, na sede do CREMERJ. O presidente do conselho, Nelson Nahon, falou sobre a importância do trabalho da equipe e apresentou os palestrantes: o diretor geral de saúde, coronel Roberto Miúra, e o médico especialista em dependência química, capitão Renato Elias.

Em sua fala, o coronel Roberto Miúra abordou os programas desenvolvidos pela corporação. “O Corpo de Bombeiros executa o resgate a vítimas de trânsito e o socorro de emergência, realizado por um grupamento de médicos que faz atendimento pré-hospitalar em ambulâncias. Além disso, temos uma assistência interna a cerca de 70 mil pessoas, incluindo bombeiros e seus dependentes, inativos e pensionistas, realizada no hospital, em policlínicas e nos postos clínicos da corporação militar. Já o Gram é direcionado ao militar usuário de drogas lícitas e ilícitas. Esse paciente era tratado com o código disciplinar, mas, desde a implantação deste grupo de acolhimento, ele tem a chance de se tratar com ajuda de psiquiatras, psicólogos e toda uma equipe multidisciplinar que vem quebrando o paradigma de só punir”, explicou Miúra.

Segundo dados apresentados pelo capitão médico Renato Elias, em um ano, houve 127 internações de profissionais ativos e inativos devido a problemas relacionados ao uso de substâncias. Elas são buscadas, principalmente, por causa do estresse no trabalho.

De acordo com Renato, o trabalho do Gram é bem executado. “É importante mostrar o serviço que temos feito dentro da corporação. Os militares chegam ao hospital da corporação de forma voluntária, passam por uma avaliação multidisciplinar e, a partir daí, são direcionados a diferentes tipos de atendimento que existem dentro do Estado. Eles são avaliados mensalmente para que continuem o tratamento e para que se verifique se possuem capacidade colaborativa e condições de retornar ou não ao trabalho. Nós acolhemos, encaminhamos e monitoramos esse militar”, acrescentou Renato.

O presidente do CREMERJ falou como as unidades de saúde e os serviços públicos sofrem com a ausência de repasse de verbas do governo do Estado.

“Tanto o Corpo de Bombeiros, quanto a Polícia Militar precisam da contratação de mais médicos e profissionais da Saúde, mas o governo do Estado não autoriza a realização de concurso público. No final, quem padece é a população devido à falta de investimento do poder público”, disse Nelson Nahon.

Após as apresentações, os conselheiros do CREMERJ puderam fazer comentários e perguntas aos palestrantes. “Para o Corpo de Bombeiros, foi muito importante participar desta plenária e uma honra estar na casa do médico”, finalizou Miúra.