Plenária debate o resultado da Olimpíada na área da saúde

20/10/2016


Ex-atleta e coordenador médico dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, João Grangeiro Neto, foi convidado pelo CREMERJ para participar da plenária temática, realizada no dia 11 de outubro, sobre os primeiros resultados obtidos pelo departamento médico, em relação ao atendimento da família olímpica, as delegações e os espectadores.
 
O responsável pela Câmara Técnica de Medicina Desportiva, Serafim Borges, e o membro da Câmara Técnica de Ortopedia do CREMERJ, Renato Graça, abriram o encontro.
 
"Assim que o Rio de Janeiro foi escolhido como sede da Olimpíada, o Grangeiro nos procurou para tirar algumas dúvidas sobre procedimentos éticos. Iniciamos, então, um estudo para regulamentar os trâmites para a vinda dos colegas estrangeiros, que por fim se tornou uma resolução nacional. Acredito que o CREMERJ colaborou para sistematizar a assistência médica durante esses jogos tão importantes para a nossa cidade”, explicou Renato Graça.
 
Grangeiro iniciou sua apresentação ressaltando a importância das parcerias firmadas ao longo dos anos de preparação para a Olimpíada.
 
“Gostaria de enfatizar que o trabalho em equipe foi fundamental para a realização desse grandioso evento. A indicação do Renato Graça e do Serafim Borges para estarem junto conosco durante o período de planejamento e organização, sem dúvida, contribuiu muito para o êxito da operação”, disse o ex-atleta.
 
Segundo Grangeiro, a maior responsabilidade de sua equipe era planejar e operar assistência médica durante os jogos, além de interagir com os Comitês Internacionais Olímpicos e Paralímpicos e federações internacionais.
 
Os números apresentados impressionam. Para atendimento médico foram montados 97 postos e instalações de competição, 11 para treinamento oficial e dois nas Vilas, Olímpica e Paralímpica, nas cidades do futebol, hotel, áreas de domínio comum, no Riocentro, Barra da Tijuca e em Deodoro, além de três postos médicos para atender a demanda da cerimônia de abertura, encerramento e ensaios. Tudo sob a responsabilidade do Comitê Médico, coordenado por Grangeiro.
 
“Foram 2.247 atendimentos de emergência, 824 consultas, 665 radiografias, 1.293 ressonâncias, 211 ultrassonografias, 6.436 procedimentos fisioterápicos, 3.645 atendimentos oftalmológicos e quase 2.500 prescrições médicas”, contou ele.
 
Grangeiro também falou sobre o serviço médico móvel, com a utilização de 146 ambulâncias, e sobre a construção da policlínica, dentro do complexo residencial dos atletas. Segundo ele, a policlínica foi a grande provedora dos serviços médicos para atletas e moradores da Vila, com consultórios dentários e de oftalmologia, setor de fisioterapia, sala com macas, um departamento de imagem com aparelhos de ressonância magnética, ultrasom e Raio X, além de setor de recuperação pós-esforço.
 
O palestrante falou ainda sobre a utilização dos materiais e equipamentos de saúde adquiridos durante a Olimpíada, lembrando que, após os Jogos, os equipamentos voltaram para a Secretaria Estadual de Saúde para serem doados a hospitais públicos e as ambulâncias foram realocadas.
 
No final do encontro, os conselheiros do CREMERJ, Aloísio Tibiriçá e Serafim Borges, ressaltaram que, apesar de toda a infraestrutura apresentada, a Olimpíada não deixarou nenhum legado positivo para a saúde pública do Rio de Janeiro.
 
Serafim aproveitou ainda para citar o acidente de carro sofrido pelo treinador alemão, Stefan Henze, na Barra da Tijuca. Segundo o conselheiro, a falta do serviço de neurocirurgia no Hospital Lourenço Jorge, para onde o treinador foi encaminhado, resultou no atraso do atendimento, ocasionando o óbito.
 
“A falta de neurocirurgião em uma unidade de saúde localizada tão próxima a uma via expressa sempre foi questionada pelo CREMERJ. Lamentamos que a Secretaria Municipal de Saúde não tenha tomado a providência de instalar um serviço tão importante nessa unidade da Barra antes do desastre”, disse Serafim.
 
O presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez, encerrou o encontro falando sobre a importância de incentivar a prática de exercícios físicos e o esforço do Conselho em facilitar a documentação e trâmites para os colegas estrangeiros.

"Realizamos várias palestras para trocar informações relevantes sobre o assunto e até sobre questões éticas. Estamos todos de parabéns pelo empenho e trabalho”,  finalizou Pablo.


Na foto: João Grangeiro Neto, Renato Graça e Serafim Borges