Emergência do HFB sofre com superlotação

21/09/2016



A superlotação da emergência do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) e a falta de leitos de retaguarda foram debatidas nesta segunda-feira, 19, no auditório da unidade. O encontro reuniu a direção e corpo clínico do HFB, o CREMERJ, representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e do Núcleo do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (NERJ/MS). A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) foi convidada, mas não compareceu.

De acordo com o diretor-geral do hospital, Walter Cavalieri, há muito tempo a emergência tem funcionado acima da capacidade, mas a situação se agravou nos últimos quatro meses com o fechamento de algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Ele relatou que o número de atendimentos subiu de 900 para 1800 por mês. No dia da reunião, o pronto-socorro estava com 58 pacientes internados, sendo que a capacidade é de 30 leitos.

“Nossa emergência é de porta aberta e recebemos pacientes de diversos locais. O HFB absorve 90% dessas internações. O restante é distribuído com os outros hospitais da rede federal (8%), o com o Estado (1%) e o município do Rio (1%). Podemos fazer este primeiro atendimento, mas precisamos ter para onde encaminhar parte desses doentes. Todos nós sabemos das dificuldades do Estado, no entanto, devemos encontrar uma forma de não sobrecarregar o HFB”, declarou Cavalieri.

O diretor da emergência, Júlio Noronha, acrescentou que parte dos leitos é ocupado por pacientes com necessidade de longa permanência, como os que estão com câncer avançado ou com doença renal crônica. Ele sugeriu que uma solução, em curto prazo, é a transferência desses doentes para outras unidades do Estado ou município que tenham este perfil de atendimento.

A proposta foi endossada pelo presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez e pelo diretor do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), Jair Veiga. Eles também defenderam a necessidade da organização da rede de assistência em saúde, por meio do sistema de regulação, e da definição do perfil de todas as unidades da rede.

“É preciso o envolvimento das três esferas de governo para que o sistema funcione de maneira plena. A regulação é a transparência do processo de internação e temos que lutar para que ela seja aperfeiçoada. Não é possível fazer uma boa administração deste modelo quando faltam leitos, as informações são desatualizadas e não existe o conhecimento da especialidade dos hospitais”, declarou Vazquez.  

O assessor do secretário estadual de Saúde, Sergio Gama, adiantou que o sistema de regulação está passando por uma reestruturação, visando facilitar a visualização dos leitos. Com o novo sistema, a SES pretende traçar a linha de cada unidade e assim direcionar os pacientes dentro do perfil de cada hospital. No primeiro momento, somente os leitos estaduais e federais estarão disponíveis.

Integrantes do corpo clínico também sugeriram outras medidas, que serão discutidas em novos encontros. Neste primeiro momento, ficou acertado que a rede federal dará assistência na transferência dos pacientes com necessidade de longa permanência.

Também compareceram a reunião os conselheiros Érika Reis e Serafim Borges e o subsecretário de Unidades Próprias da SES-RJ, Charbel Khouri.