Angra dos Reis: Crise na saúde pública se agrava

19/09/2016


A crise na saúde pública de Angra dos Reis chegou a um nível insustentável. Na última semana, representantes do CREMERJ se reuniram com médicos do Hospital Geral da Japuíba e do Serviço de Pronto-Atendimento de Jacuecanga, que mais uma vez relataram as péssimas condições de trabalho e atendimento. 
 
No último fim de semana, após ordens da prefeitura, a emergência do Hospital Geral da Japuíba foi fechada, pois só havia um médico de plantão para todo hospital. Conforme o Cremerj tem noticiado, a situação das unidades é péssima e se agravou nas últimas semanas, tendo como principais problemas a falta de recursos humanos e de insumos. 

“O CREMERJ vem denunciando há meses o descaso com a saúde pública de Angra. Encontramos pacientes deitados no chão, lixo acumulado há 15 dias. É uma situação totalmente inadmissível”, relata Nelson Nahon, vice-presidente do CREMERJ. 
 
Quantos aos pacientes acomodados em colchões no chão, além de infringir normas sanitárias vigentes, como a RDC 50/2002 da ANVISA, a situação afeta a dignidade humana, prevista na Constituição Federal.
 
Os problemas na saúde pública da região se agravaram em março, depois do fechamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região, que foi instalada, de forma improvisada, nas dependências do Hospital Geral de Japuíba (HGJ). A medida repercutiu diretamente no HGJ, que ficou sobrecarregado e com dificuldades para manter o serviço por conta da falta de investimento financeiro e de recursos humanos. Desta vez, a UPA foi fechada definitivamente, com alguns equipamentos inutilizados, como o raio X, por exemplo, que está desmontado em uma sala do hospital de Jacuecanga.
 
No último mês, médicos da HGJ enviaram ofício para o CREMERJ, denunciando problemas como o desfalque constante de equipes médicas de atendimento na emergência, por conta de fim de contratos e restrição de horas extras, além da não realização de concurso público ou contratação emergencial. Segundo eles, o déficit de recursos humanos vem comprometendo de forma evidente a qualidade da assistência no único hospital público de emergência do município. 
 
Na Unidade de Pacientes Graves (UPG), faltam plantonistas em períodos de até 48 horas consecutivas. A unidade possui dez leitos de internação, sendo necessária uma equipe composta por um intensivista para plantões e um intensivista de rotina. Essa composição nunca foi cumprida e o setor é assistido por um único plantonista. 
 
Faltam ainda especialistas nos setores de cirurgia geral, ortopedia e pediatria. O desfalque de equipes também é uma realidade no Serviço de Pronto-atendimento (SPA), a antiga UPA, o que acaba gerando o desvio de atendimento de baixa complexidade para as equipes da grande emergência.
 
O HGJ sofre ainda com a superlotação de leitos nos setores de emergência e repouso, por falta de leitos no serviço de clínica médica para absorver a demanda de internações. 
 
Segundo os médicos, faltam inúmeros itens como insumos básicos e medicamentos de uso em emergência, tais como hidrocortisona, noradrenalina, transamin, albumina, entre outros. Há também um número insuficiente de aparelhos respiradores e monitores. As condições estruturais da sala de cirurgia estão com mofo no teto, torneiras para assepsia das mãos com sensores quebrados e falta de insumos que comprometem a segurança dos procedimentos.