Crise: rede hospitalar pública do Rio apresenta problemas

01/09/2016


Logo após os Jogos Olímpicos, a rede hospitalar pública do Rio começa a dar sinais, novamente, dos impactos da crise financeira do Estado. O Centro Estadual de Transplantes (CET), que funciona no Hospital São Francisco de Assis (HSFA), reduziu o número de cirurgias por conta dos atrasos nos repasses. As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também passam por situação crítica, com falta de insumos e de medicamentos. No interior, a situação não é diferente. O Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama, pode ter o atendimento de ortopedia suspenso devido à paralisação dos médicos contratualizados, que estão sem receber salário.

“O cenário que está se formando nesse momento nos preocupa muito. O governo estadual precisa priorizar os repasses dos hospitais e UPAs e garantir a manutenção desses serviços à população”, declarou o presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez.

Até meados de 2015, o HSFA era responsável por 60% dos procedimentos de rim no Estado.  Por conta da falta de verbas, vem transferindo seus pacientes para outras unidades no momento em que são chamados para a cirurgia, por conta da falta de material. Em janeiro, o governo estadual negociou com a Organização Social Associação Lar de São Francisco, que administra o hospital, uma redução na verba mensal, mas os atrasos continuaram.

Já as UPAs têm sofrido com a redução do quantitativo de médicos e outros profissionais de saúde, desabastecimento de insumos, materiais e medicamentos, deficiências nos serviços de exames laboratoriais, superlotação e internação de pacientes graves em condições inadequadas. O CREMERJ e a Defensoria Pública do Rio encaminharam à Secretaria de Estado de Saúde (SES) relatórios com as principais irregularidades.

No Hospital Estadual Roberto Chabo, os médicos da cirurgia ortopédica pretendem paralisar os serviços a partir de amanhã, 1º de setembro, segundo ofício encaminhado ao Conselho. Sem receber salários há dois meses, a equipe pretende manter apenas o atendimento aos pacientes internados.

“Trabalhamos desde novembro com atrasos e com a ausência de pagamento das remunerações. Mantivemos os serviços de atendimento com objetivo único de não causar desassistência aos pacientes, no entanto, a nossa dignidade, enquanto profissionais, encontra-se esgotada, não nos cabendo outra solução a não ser parar nossas atividades para procurarmos outras fontes para sustento dos nossos lares”, declara o documento entregue ao CREMERJ.
 
Rede Municipal
 
Os hospitais municipais Rocha Faria, Pedro II e Albert Schweitzr também passam por uma situação crítica. Os três hospitais administrados por Organizações Sociais (OSs) tiveram suas equipes reduzidas, prejudicando a assistência à população, que já sofria horas de espera por uma consulta e até mesmo por um procedimento de emergência.

O serviço de otorrinolaringologia no Hospital Municipal Rocha Faria (HMRF), responsável por atender casos de emergência em toda a Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi extinto. Com o fim do atendimento dessa especialidade, toda a região ficou desassistida. No Pedro II,  profissionais de diversas especialidades foram demitidos  e  houve diminuição de leitos.  O Albert Schweitzr também está com o déficit de recursos humanos e leitos e carência de aparelhos.

“A crise existe, mas não podemos permitir que as verbas da Saúde não sejam repassadas. Vamos cobrar do governo do Estado uma posição sobre esses repasses e continuar a lutar pela transferência dos 12% da receita para o Fundo Estadual de Saúde”, declarou o vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon.