Olimpíada: CREMERJ fiscaliza hospitais de referência

18/07/2016


Com a proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o CREMERJ fiscalizou as cinco unidades municipais que serão referência para o atendimento de emergência durante a Olimpíada, além das Coordenações de Emergência Regional (CERs). Neste mês de julho, a Comissão de Fiscalização do CREMERJ esteve nos hospitais municipais Souza Aguiar, Salgado Filho, Miguel Couto, Albert Schweitzer e Lourenço Jorge, além da CER Barra, anexa ao Lourenço Jorge, da CER Leblon, ligada ao Miguel Couto, e da CER Centro, nas dependências do Souza Aguiar. O resultado das visitas foi apresentado nessa sexta-feira, 15, em coletiva na sede do Conselho. 
 
Em todas as unidades fiscalizadas foi constatado que as atuais condições de funcionamento e ocupação não permitem a acomodação de novos pacientes. Há ainda um grande número de pacientes internados, de forma improvisada, nos corredores, em macas de transporte, poltronas e cadeiras, devido à falta de leitos e de estrutura adequada. O CREMERJ identificou ainda a superlotação em todas as salas de emergência vistoriadas.
 
“Se os Jogos fossem nesse período das fiscalizações, essas unidades não teriam condições de receber um grande fluxo de pacientes ao mesmo tempo. Mas ainda é possível implementar medidas para garantir uma adequada assistência médica à população. Temos que exigir que as autoridades tomem providências”, declarou o presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez
 
Para o Conselho, uma solução é o Estado liberar verbas emergenciais para a Saúde, já que o repasse atual é de 4% dos 12% do orçamento obrigatório. Outra medida é os hospitais federais garantirem leitos de retaguarda para suprir a necessidade dos hospitais de referência da Olimpíada. O vice-presidente do Conselho, Nelson Nahon, reforçou que o déficit de leitos de CTI no Estado é de, aproximadamente, 150 por dia. 
 
“Mesmo que a referência de atendimento a atletas e delegações seja em hospitais particulares é preciso esclarecer que o socorro de emergência é feito, primeiramente, pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros. Todos são levados para a rede pública antes de serem transferidos e, com o déficit de leitos que já temos, essa situação nos preocupa. A cidade estará funcionando do mesmo jeito e as unidades recebendo os pacientes como de costume”, reforçou.   
 
O coordenador da Comissão de Fiscalização do CREMERJ, Gil Simões, explicou que as vistorias foram realizadas por uma equipe técnica especializada, com a participação de um médico da Câmara Técnica de Emergência do Conselho. Ele ainda adiantou que, durante os Jogos, também haverá fiscalizações, onde serão checadas as condições de assistência médica para atletas, funcionários e espectadores, além da situação de transferência pelas ambulâncias. 
 
Na próxima segunda-feira, 18, a direção do Conselho se reunirá com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, para entregar o relatório das vistorias e cobrar um posicionamento sobre os problemas encontrados. Segue abaixo um resumo das condições encontradas em cada hospital:
 
Hospital Municipal Souza Aguiar 
O Hospital Municipal Souza Aguiar, localizado no Centro do Rio, foi fiscalizado no dia 5 de julho. Na data da vistoria, a sala de emergência da unidade, destinada a pacientes adultos com média e alta gravidade, estava superlotada. Na sala de emergência de média e alta gravidade pediátrica não havia leitos vagos. Alguns pacientes estavam internados, de forma improvisada, em cadeiras, poltronas e macas de transporte na emergência. Algumas macas de ambulâncias do Corpo de Bombeiros estavam retidas no serviço de emergência, sendo utilizadas para internação de pacientes. 
 
Foi identificada ainda a falta de alguns medicamentos e o déficit de equipamentos usados para o monitoramento do estado de pacientes graves. Na sala destinada ao atendimento para casos de múltiplas vítimas, as obras estavam em andamento. De acordo com escalas de médicos plantonistas divulgadas no portal eletrônico da Secretaria Municipal de Saúde, as equipes de ortopedia e neurocirurgia se encontram incompletas no período analisado (01/07/2016 a 10/07/2016).
 
Na CER Centro, anexa ao hospital, também foi identificado um número alto de pacientes internados em macas de transporte e poltronas por falta de leitos adequados. A sala de emergência apresentava superlotação. 
 
 
Hospital Municipal Salgado Filho 
O Hospital Municipal Salgado Filho, localizado no Méier, foi fiscalizado no dia 7 de julho. As salas de emergência destinadas a pacientes adultos com média e alta gravidade apresentavam ocupação muito superior à sua capacidade. Um fato que chamou a atenção da equipe do CREMEJ foi o caso de duas crianças em estado grave (risco de morte) internadas de forma inadequada na sala de média gravidade da pediatria por falta de leitos de Terapia Intensiva Pediátrica.  Recentemente, foram fechados quatro leitos de UPG (Unidade de Pacientes Graves) de pediatria do hospital. Outros seis leitos de Terapia Intensiva Pediátrica também permanecem desativados no Hospital Souza Aguiar por falta de recursos humanos. Na sala de nebulização havia oito crianças internadas de forma inadequada.
 
Foi constatado ainda um número alto de pacientes internados ao longo dos corredores e acomodados em macas de transporte, muito próximas uma das outras. Segundo planejamento da unidade para casos de múltiplas vítimas, todos os leitos da sala de pacientes de média gravidade (sala amarela) serão alocados, de forma improvisada, no espaço da cantina desativada no hospital. Cabe ressaltar que as condições do local não são adequadas para internação de pacientes por se tratar de um espaço aberto, na parte anexa da unidade, sem rede de oxigênio, o que pode comprometer a qualidade da assistência. Também há falta de equipamentos para monitoração de pacientes graves. Todas as unidades de Terapia Intensiva estão com ocupação total de leitos. O equipamento para ultrassonografia utilizado em pacientes com trauma estava em manutenção. De acordo com escalas de médicos plantonistas divulgadas no portal eletrônico da Secretaria Municipal de Saúde, as equipes de ortopedia e neurocirurgia se encontram incompletas, no período analisado (01/07/2016 a 10/07/2016).
 
 
Hospital Municipal Miguel Couto 
O Hospital Municipal Miguel Couto, localizado no Leblon, foi fiscalizado no dia 7 de julho. As salas de emergências destinadas à pacientes adultos de média e alta gravidade apresentavam ocupação acima de sua capacidade. O Centro de Terapia Intensiva (CTI) e a Unidade Coronariana (UCO) estavam com todos os seus leitos ocupados. No CER Leblon, unidade anexa ao Miguel Couto, fiscalizada no mesmo dia 7, a sala de emergência para pacientes adultos de média gravidade estava superlotada, já a emergência para pacientes de alta gravidade estavam com todos os leitos ocupados. Havia cinco pacientes com condições de alta no CTI, que não puderam ser transferidos para a clínica médica por falta de leitos.  Há falta de equipamentos – cabos de oxímetro para monitorização de pacientes graves do CTI e ventilador mecânico (respirador) para crianças com menos de 10 Kg.
 
 
Hospital Municipal Lourenço Jorge
Apesar de grande concentração de eventos olímpicos na Zona Oeste da cidade, o Hospital Municipal Lourenço Jorge, localizado na Barra da Tijuca, não dispõe de atendimentos de urgência e emergência em neurocirurgia, sendo necessário o transporte do paciente até o Hospital Municipal Miguel Couto para ser avaliado por este especialista. Cabe ressaltar que na última vistoria do conselho, realizada na unidade, foi informado que haveria pelo menos um neurocirurgião por equipe de plantão para avaliação do paciente vítima de trauma. 
 
A unidade foi fiscalizada no dia 8 de julho, quando as salas de emergência destinadas a pacientes adultos com média e alta gravidade estavam com superlotação. Tinham três pacientes internados no corredor da emergência. A Unidade Semi-Intensiva estava desativada por conta do déficit de recursos humanos. Faltam médicos também no Centro de Terapia Intensiva, além de equipamentos para monitorização de pacientes graves. O aparelho de endoscopia digestiva está quebrado há mais de seis meses. De acordo com escalas de médicos plantonistas divulgadas no portal eletrônico da Secretaria Municipal de Saúde, as equipes de ortopedia se encontram incompletas, no período analisado (01/07/2016 a 10/07/2016). Além disso, não há cirurgia vascular nos plantões noturnos de sábado. Na CER Barra, anexa ao Lourenço Jorge, as salas de emergência destinadas a pacientes adultos com média e alta gravidade estavam superlotadas.
 
 
Hospital Municipal Albert Schweitzer 
A unidade, recentemente transferida para a gestão municipal, foi fiscalizada no dia 11 de julho. Localizado em Realengo, na Zona Oeste, o hospital também apresentava superlotação nas salas de emergência destinada aos adultos com média e alta gravidade. O setor de emergência está em obras. Segundo informado, houve redução da equipe médica plantonista em todas as especialidades.  Faltam médicos no CTI adulto e, durante a fiscalização, havia apenas um pediatra de plantão. Por conta disso, o atendimento em pediatria estava restrito. A sala de trauma da unidade está instalada em local inadequado, com utilização de tapumes e espaço insuficiente entre os leitos. Foi constatado também demora na liberação de resultados laboratoriais. A unidade mantém internados dois pacientes sob custódia.