CREMERJ lamenta posicionamento do novo ministro da Saúde

17/05/2016



O CREMERJ recebeu com preocupação a notícia de que o novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, tem opinião favorável à diminuição do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele declarou à imprensa, nessa segunda-feira, 16, que o país não conseguirá sustentar os direitos que a Constituição garante, como o acesso universal à saúde, e que será preciso rever o sistema.

"A saúde é um dos pilares de uma sociedade evoluída e democrática. O SUS, através do princípio fundamental da universalidade, é considerado mundialmente como um modelo de excelência. Precisamos garantir que ele funcione perfeitamente, não reduzi-lo. Assegurar o pleno funcionamento do SUS é assegurar que a população, sem qualquer tipo de discriminação, seja social, cultural, racial ou econômico,  tenha seu maior direito garantido,  com acesso às ações e serviços de saúde. Ficamos muito apreensivos em saber que o novo ministro da Saúde tem esse posicionamento", afirmou o presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez.

A posição do ministro, aliada à proposta que defende o fim de um percentual fixo do orçamento dos governos para a saúde pública, pode levar a um retrocesso nas conquistas democráticas.

"Se já enfrentamos dificuldades atualmente, com a redução dos recursos certamente teremos o enfraquecimento do SUS e um retrocesso na luta pela melhoria do sistema. O reconhecimento internacional da Política Nacional de DST/Aids, a distribuição gratuita de medicamentos para diversas doenças crônicas e o calendário de vacinação na rede pública são exemplos de iniciativas que surgiram dentro do conceito de direito universal a que o SUS se propõe. Mas ao longo dos últimos anos, assistimos ao seu subfinanciamento e ao amplo crescimento do mercado de planos de saúde, sem regulamentação e sem qualidade. Nesse processo, pacientes, médicos e demais profissionais que atuam na área acabam prejudicados, em detrimento do lucro das empresas que comercializam a saúde ", frisa Vazquez.

O CREMERJ se manterá ativo na luta pela democracia e pelos direitos conquistados no Brasil, dentre eles o SUS de qualidade.

"Os médicos precisam se manter organizados e muito atentos nesse momento tão delicado que estamos vivendo. Vamos seguir batalhando por um Estado que priorize os direitos da população, a justiça, a liberdade e os avanços sociais", destaca Pablo Vazquez.