Cirurgia cardíaca pediátrica é tema de reunião no CREMERJ

23/02/2016


Os diretores do CREMERJ Serafim Borges e Gil Simões receberam nessa quinta-feira, 18, representantes dos serviços de cirurgia cardíaca pediátrica do Estado do Rio de Janeiro para debaterem as dificuldades do setor. O objetivo do encontro foi levantar informações sobre as deficiências e problemas da especialidade, que depois serão encaminhados para os governos estadual e municipal, Ministério da Saúde e Ministério Público (MP). 

Serafim Borges abriu o encontro falando sobre o déficit de profissionais especializados em cirurgia cardíaca pediátrica no Rio de Janeiro e também sobre a falta de estrutura das unidades que atendem esses casos. Outro ponto levantado pelo cardiologista foram as falhas do sistema de regulação de pacientes. 

“A cirurgia cardíaca pediátrica poderia ser muito mais atuante no Estado. Mas faltam investimentos e profissionais especializados. Além disso, o atual sistema de regulação não atende de forma eficiente. Queremos saber dos colegas que atuam no setor quais são as principais deficiências para organizar as informações. Levaremos para as autoridades competentes em busca de soluções para os problemas”, declarou o diretor do CREMERJ. 

A diretora técnica do Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (Iecac), Maria Eulália Thebit Pffeifer, relatou que a unidade enfrenta dificuldades para manter os recursos humanos, devido aos baixos salários. Além disso, o hospital tem déficit de material e de equipamentos, inclusive para a realização exames laboratoriais. A médica ainda acrescentou que, por conta desses fatores, a média de cirurgias tem caído consideravelmente. 

“Temos toda a condição de prestar um bom serviço à sociedade, mas para isso precisamos de investimento público, ou seja, temos que ter recursos humanos e insumos básicos. Estamos dispostos, interessados e queremos fazer”, declarou Maria Eulália.  

Segundo a chefe do serviço de cirurgia cardíaca pediátrica da Perinatal, Sandra Pereira, nascem, por ano, cerca de 24 mil crianças com cardiopatia congênita no Brasil. Desses bebês, 16 mil precisarão de intervenção cirúrgica. No Rio, a estimativa é de nascimento de 1.300 crianças cardiopatas por ano. No entanto, Sandra reforçou que  faltam aparelhos adequados nas unidades e profissionais especializados em cardiopatia infantil. 

“Necessitaríamos realizar no mínimo 800 cirurgias cardíacas por ano no Rio de Janeiro, mas não passamos de 450. Juntando todos os serviços não conseguimos atender nem 50% dos pacientes. Mudar essa realidade é uma luta de muitos anos dos cardiopediatras do Estado”, disse. 

Para o médico Luiz Carlos do Nascimento Simões, chefe do serviço pediátrico do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o ideal seria que os hospitais cardiológicos do Rio de Janeiro fossem filiados ao Ministério da Saúde, a exemplo do que acontece com algumas unidades de São Paulo. Por meio da isenção fiscal, os hospitais poderiam investir na compra de equipamentos, contratar profissionais com melhores salários e realizar pesquisas. 

“Se os hospitais do Rio de Janeiro recebem investimentos semelhantes aos de São Paulo nossas filas seriam resolvidas e muitas vidas salvas”, enfatizou Luiz Carlos Simões. 

Ao final da reunião, o diretor do CREMERJ Gil Simões explicou que os assuntos levantados durante a reunião podem virar propostas, que, posteriormente, serão levadas aos representantes dos governos municipais e estaduais e do Núcleo do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (NERJ/MS). 

“Precisamos estabelecer propostas de maneira objetiva e depois discutir com as autoridades a possibilidade de colocá-las em prática. Acredito que nesse sentido podemos movimentar muita coisa e começar a mudar a realidade da cirurgia pediátrica do Rio de Janeiro”, finalizou Gil Simões. 

Também compareceram ao encontro representantes da UTI Neonatal do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), do Hospital Pró Criança Cardíaca e da Câmara Técnica de Cirurgia Pediátrica do CREMERJ.