Novos serviços no Mário Kröeff poderão ser suspensos

08/01/2016


O CREMERJ entrou em contato, nessa terça-feira, 5, com a direção do Hospital Mário Kröeff para ter novas informações sobre a situação da unidade. O principal ponto é o baixo estoque de insumos, que podem acarretar a suspensão de cirurgias e quimioterapias. Como já foi divulgado, o serviço de oncologia clínica do hospital foi suspenso na segunda-feira, 4, também por falta de insumos e pagamentos de médicos do setor. 
 
De acordo com a direção, a instituição, que é filantrópica e referência no diagnóstico e tratamento do câncer, atende 96% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Todo mês, existe um déficit financeiro já que os valores cobrados pela tabela SUS são bastante defasados.
 
Além disso, segundo a direção, a situação se agrava porque a prefeitura costuma repassar as verbas com atraso. O repasse deveria ser efetuado todo dia 5, no entanto isso não acontece. A unidade recebeu o valor referente ao mês de novembro – que deveria ter sido feito no dia 5 de dezembro – somente no dia 28. O repasse também foi inferior ao combinado, sendo o equivalente a 75% do valor total.
 
O vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, relatou que, segundo a direção, o serviço de oncologia clínica vem sendo o mais prejudicado. “Até o momento, apenas o ambulatório de oncologia clínica foi diretamente afetado. Por falta de insumos, novos pacientes não estão sendo atendidos. A maioria dos pacientes agendados para radioterapia e quimioterapia está sendo atendida. Mas a oncologia clínica, infelizmente, está parada, o que consideramos inaceitável”, explica.
 
De acordo com Nelson Nahon, se não houver reabastecimento de insumos, novos serviços poderão ser suspensos. “A direção nos disse que, na unidade, o estoque de insumos para atender os pacientes de quimioterapia é de até oito dias. O mesmo acontece com o estoque de materiais cirúrgicos. Se ambos não forem reabastecidos com urgência, quimioterapias e cirurgias também terão que ser paralisadas”, acrescenta.
 
Em novembro de 2015, o CREMERJ entrou com uma representação no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) após realizar, em outubro, uma fiscalização na unidade e constatar irregularidades. Ainda esta semana, o Conselho vai anexar à representação os dois ofícios que recebeu da direção do Mário Kröeff, um em dezembro de 2015 e outro no dia 4 de janeiro.