CREMERJ e Fundação Saúde debatem crise no Hemorio e Iecac

23/12/2015


O CREMERJ se reuniu nessa segunda-feira, 21, com a diretora executiva da Fundação Saúde, Clarisse Lobo, e o diretor técnico assistencial da instituição, Eduardo Pereira Marques. O encontro teve como objetivo falar sobre a carência de pediatras e dos atrasos no repasse de verbas de custeio para o Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio) e pelo Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro (Iecac), ambos administrados pela fundação. 

De acordo com Clarisse, estava previsto para o início deste ano a realização de concurso público para a contratação de novos pediatras. Entretanto, o certame foi suspenso pela Comissão de Programação Orçamentária e Financeira (Copof) do Estado do Rio de Janeiro por tempo indeterminado. Com a medida, o Hemorio e o Iecac precisam contratar plantonistas para complementar a equipe. 

“A rede pública do Estado não tem pediatras. Estava tudo certo para a realização do concurso, mas o Copof bloqueou por conta da crise. No Hemorio, não teremos pediatras nas madrugadas de 24 para 25 e 31 para 1º”, explicou Clarisse Lobo. 

O conselheiro Gil Simões enfatizou que a realização do concurso deve ser priorizada para que os atendimentos às crianças não seja prejudicado. “Um instituto da importância do Hemorio não pode ficar sem pediatra. É óbvio que o Governo do Estado está prejudicando a assistência pediátrica da unidade e colocando em risco as crianças que são atendidas”, declarou o conselheiro. 

Outra questão discutida na reunião foi o atraso nas verbas de custeio realizadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). A última transferência aconteceu no final de outubro e já vem prejudicando o pagamento de fornecedores e funcionários terceirizados.  

“O Hemorio, Iecac e Iede têm estoque de material e medicamentos até o final de fevereiro. Se os repasses não se normalizarem antes disso, vamos ter a suspensão de alguns atendimentos. A gente não ter material no Hemorio significa parar de coletar sangue no Estado”, alertou a diretora executiva.
 
O 2º vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, ressaltou que é preciso haver a união dos governos federal, estadual e municipal para que a situação em todo estado se normalize.    

“Queremos que as três esferas de governos se unam para elaborar ações para resolver a crise na Saúde do Rio de Janeiro. Não podemos aceitar o sequestro, por parte da Secretaria Municipal de Saúde, dos repasses da Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar (MAC) e de nenhuma outra fonte. Vamos acompanhar de perto as ações e cobrar as medidas necessárias”, adiantou Nahon. 

Também participou da reunião a 1ª vice-presidente do CREMERJ, Ana Maria Cabral.