Fórum discute os benefícios da medicina hiperbárica

24/11/2015


O Grupo de Trabalho sobre Medicina Hiperbárica do CREMERJ promoveu nesta quarta-feira, 18, um fórum sobre o assunto. O evento, realizado no auditório Júlio Sanderson, na sede do Conselho, reuniu os principais especialistas da área para temas, como: terapêutica, acidentes que podem ocorrer durante um mergulho e a importância da ação do oxigênio hiperbárico.

A abertura contou com a participação do vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, e da médica hiperbarista Sandra Sheila Gutierrez Caselli. Na ocasião, ela explicou que o evento teve como objetivo dar mais visibilidade à especialidade – ainda pouco conhecida. “A medicina hiperbárica não é matéria abordada nas faculdades de ensino médico, apesar de sua eficácia e de ser devidamente reconhecida. Acompanhamos o sucesso da atuação médica dedicada aos aspectos fisiopatológicos do mergulho e do trabalho em ambientes pressurizados (mergulho seco), assim como os resultados da oxigenoterapia hiperbárica (O2HB). Temos que trabalhar para que a população conheça seus benefícios e ela se torne matéria nas faculdades”, declarou.

Na primeira parte do encontro, Iriano da Silva Alves, membro do Grupo de Trabalho sobre Medicina Hiperbárica, ministrou a palestra “História e Evolução da Medicina Hiperbárica no Mundo e no Brasil”. Em seguida, o médico Bruno Alves Parente abordou o tema “Doenças e Acidentes de Mergulho”. Após o intervalo, o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica, Tomaz de Aquino Pedreira Brito, abordou os temas “Mecanismo de Ação da Recompressão Terapêutica e Indicações” e “Mecanismo de Ação do Oxigênio Hiperbárico”. Durante sua explanação, Aquino enfatizou que a eficácia das câmaras hiberbáricas já foi comprovada.

“Temos mais de 200 anos de história e, nesse período, a casuística e as evidências clínicas de pacientes tratados, com e sem câmara, nos autorizam a não precisar mais de um estudo duplo cego e randomizado. Como deixar um paciente evoluir mal só para comprovar que ele ficaria bem se fosse para a câmara? Lidamos com medicina baseada em evidências e no caso dos nossos tratamentos já ficou comprovado que a evolução dos pacientes é melhor e mais rápida, além do custo mais baixo”, explicou.

Na terceira parte do evento, a palestrante Mariza D’Agostino Dias falou sobre a “Resolução nº 1.457/95, do Conselho Federal de Medicina, e Indicações Hospitalares” e as “Contra Indicações, Complicações e Efeitos Colaterais”. Mariza também destacou a necessidade da inclusão do uso das câmaras hiperbáricas no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Atualmente, só existem no Brasil 119 clínicas hiperbáricas, o que é pouco. Para que possamos atender 1% da população, que é cerca de dois milhões de pessoas, precisamos de 10 mil clínicas. A inclusão da medicina hiperbárica no SUS representaria uma grande expansão deste serviço, beneficiando toda a população”, declarou.

O médico Ary de Matos, um dos pioneiros da medicina hiperbárica no Brasil, também compareceu ao evento. Ele ressaltou a importância da divulgação e da discussão sobre a especialidade. 

“A medicina tem evoluído muito e confesso que tem sido além das minhas expectativas. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas nunca pensei que fosse tão longe. Muitos achavam que a implantação da medicina hiperbárica era uma utopia. O caminho agora é continuar trabalhando, discutindo e divulgando os resultados da área”, finalizou.

No encerramento, a moderadora Sandra Sheila Caselli anunciou a criação da Câmara Técnica de Medicina Hiperbárica do CREMERJ. A transformação de grupo de trabalho para câmara técnica foi aprovada durante plenária do CREMERJ nessa terça-feira, 17.