Entidades debatem melhorias para o Hospital de Nova Iguaçu

22/10/2015


O CREMERJ participou de uma reunião convocada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Saúde da Região Metropolitana I do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), nessa terça-feira, 20, no Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, para debater propostas para a superlotação do Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI). 

A reunião, convocada pela promotora de Justiça Márcia Lustosa, discutiu a sobrecarga na emergência do HGNI, que é também conhecido como Hospital da Posse. 

Participaram da reunião o vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon; a promotora de Justiça Márcia Lustosa; o secretário da Casa Civil, Leonardo Spíndola, representando o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão; o secretário municipal de Saúde de Nova Iguaçu, Luiz Antonio Teixeira Júnior; o secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Felipe Peixoto; o representante do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (Nerj), Carlos Alberto Oliveira; e o diretor geral do HGNI, conselheiro Joé Sestello.

Na ocasião, Márcia Lustosa falou sobre as propostas da prefeitura de Nova Iguaçu em relação aos repasses financeiros para o hospital, que é uma unidade de referência nas áreas de urgência e emergência para os municípios vizinhos. 

Entre as propostas está a criação de uma central de regulação de cirurgias eletivas para a Baixada Fluminense, a reorganização dos leitos da região e que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) passem a receber pacientes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Grupamento de Socorro de Emergência (GSE) do Corpo de Bombeiros.

Márcia Lustosa ressaltou que a falta de regulação entre o HGNI e as UPAs acaba sobrecarregando a emergência do hospital. Ela deu como exemplo a UPA Mesquita, que não recebe pacientes desses serviços. Para o CREMERJ, uma das maneiras de desafogar a emergência é a reabertura do Hospital Municipal Leonel de Moura Brizola, único hospital geral de Mesquita, conforme decisão da Justiça Federal após uma ação civil pública do Conselho contra a prefeitura do município.

“Os casos graves continuariam sendo encaminhados para o HGNI, mas pacientes não graves que são atendidos pelo Samu e pelo GSE poderiam ser levados para as UPAs. O Estado tem a obrigação de organizar esse fluxo”, frisou Joé Sestello.

Durante a reunião, a promotora também destacou que, após ações conjuntas com o CREMERJ e outras entidades, houve uma melhoria no atendimento prestado no HGNI, porém a sobrecarga permanece, pois 45% dos atendimentos são oriundos de municípios próximos. O Conselho já esteve em diversas fiscalizações em conjunto com a Promotoria em unidades da Baixada Fluminense e vem denunciando a falta de leitos e fechamentos de hospitais na região. 

Já segundo a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Baixada Fluminense (Cisbaf), Rosângela Bello, que administra a Central Regional de Regulação do Samu, o déficit de leitos na Baixada Fluminense (que possui 12 municípios) é de oito mil leitos. 

“A diminuição das verbas destinadas para a Saúde e a falta de leitos acarretam prejuízos enormes para a assistência à população, mesmo com o esforço dos colegas para atender todos os pacientes”, salientou Nelson Nahon. 

O secretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Felipe Peixoto, reconheceu que o Estado não está repassando em dia o dinheiro da maternidade Mariana Bulhões, localizada em Nova Iguaçu, e que a maternidade da Casa de Saúde Nossa Senhora da Glória, em Belford Roxo, uma unidade particular conveniada ao município e que atende pacientes do SUS, será fechada em janeiro de 2016.

Felipe Peixoto ressaltou que a principal prioridade do Estado é a abertura do Hospital do Médio Paraíba, em Volta Redonda, que já está pronto, mas faltam aparelhos e recursos humanos, além da construção do hospital da Baixada Fluminense.   

“A preocupação do CREMERJ é saber que as prioridades do governador Pezão são a construção do hospital da Baixada, sendo que não existe nem projeto ainda, e a abertura do Hospital do Médio Paraíba, que já está pronto há mais de um ano e meio e ainda não foi inaugurado. É preciso lançar mão de soluções a curto prazo, como maior financiamento para o setor além de abertura de novos leitos”, frisou Nahon.

O encontro ainda contou com a participação da subsecretária de Atenção à Saúde e de Unidades de Saúde da SES-RJ, Mônica Almeida e Hellen Miyamoto, respectivamente; do comandante do 1º Grupamento de Socorro de Emergência (GSE), do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel médico Fernando Suarez; do diretor do Centro de Operações GSE/Samu, tenente coronel Carlos Alberto Simas Júnior; do gestor de Atendimento da CCR Nova Dutra, Virgílio Leocádio; e do diretor médico do HGNI, Lino Sieiro Netto.