Itaboraí: Hospital Leal Junior reduz número de leitos na UTI

04/09/2015


A redução de leitos da UTI do Hospital Municipal Desembargador Leal Junior (HMDLJ), em Itaboraí, e outros graves problemas na saúde pública do município foram discutidos em reunião do CREMERJ nessa terça-feira, 1º. O coordenador da seccional de São Gonçalo – que abrange a cidade de Itaboraí – Amaro Alexandre Neto, recebeu o secretário de Saúde do município, Edilson Santos, e o diretor médico do HMDLJ, Acyr Aguiar.

A reunião foi solicitada pelo secretário de Saúde do município para dar explicações sobre a situação precária que enfrenta o HMDLJ – único hospital público da cidade, administrado pela Organização Social (OS) Instituto Nacional de Assistência à Saúde e à Educação (Inase). 

De acordo com o diretor médico do HDMLJ, a redução de dez para seis leitos na UTI da unidade é reflexo da falta de repasses da prefeitura e a ausência de recursos chegou a um nível insustentável. Segundo ele, as empresas prestadoras de serviços estão parando de exercer suas atividades e alguns médicos ainda não receberam os salários dos últimos dois meses. Além disso, os estoques de medicamentos e insumos estão zerados, o que inviabiliza a assistência aos pacientes internados e os que chegam às emergências.

Já o secretário de Saúde esclareceu que a atual gestão do hospital pela OS Inase se encerra no próximo dia 24, em consequência da ação civil do Ministério Público Estadual – devido aos problemas constatados no processo de contratação em 2012. Segundo ele, essa situação gerou descrédito nos profissionais da unidade e prestadores de serviços.

Edilson Santos atribuiu os atrasos nos repasses à crise econômica que o município enfrenta, sobretudo por conta da paralisação das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que gerou queda na arrecadação municipal. 

O diretor do hospital, por sua vez, ressaltou a preocupação com a manutenção da unidade, já que vários profissionais estão em período demissionário devido à falta de pagamento. Acyr Aguiar ainda chamou atenção, pontualmente, para o déficit do número de médicos obstetras e neo-natologistas. Essa ausência já tem gerado transtornos nos plantões aos sábados, domingos e segundas-feiras. 

Em resposta aos questionamentos do CREMERJ, o secretário municipal informou que oficializou um pedido de apoio à Secretaria Estadual de Saúde para garantir a continuidade do atendimento do hospital.

Segundo o coordenador da seccional, Amaro Alexandre Neto, o Conselho continuará acompanhando o caso de perto. “O CREMERJ estuda entrar com uma ação civil pública para garantir as condições de trabalho dos profissionais de saúde e uma assistência digna à população”, concluiu Amaro Alexandre.