Surto de Caxumba no Estado do RJ é tema de fórum no CREMERJ

21/08/2015


Organizado pelo CREMERJ, o Fórum sobre o Surto de Caxumba no Estado do Rio de Janeiro aconteceu nessa quarta-feira, 19, no auditório Júlio Sanderson, e contou com a presença de representantes da Saúde das áreas federal, estadual e municipal, da Fiocruz e das sociedades de especialidade.

Para abrir o debate, o presidente do Conselho, Pablo Vazquez, enfatizou a importância da realização de fóruns sobre surtos de doenças para melhor informar à população e aos médicos em atendimento. “É muito bom que esse debate avance no entendimento de como ocorreu a epidemia, as causas, se houve ou não falha no sistema de vacinação e de que forma podemos reforçar a prevenção”, disse.

O diretor do CREMERJ Gil Simões comandou o debate anunciando cada um dos palestrantes. Representando o Ministério da Saúde, Ana Goretti Kalume, fez um panorama da caxumba no Brasil. Em relação ao surto da doença no Rio de Janeiro, ela explicou que os casos constatados surgiram em pacientes com a faixa etária mais avançada. “Com a vacinação das crianças, a maior parte dos infectados eram adolescentes, por isso se levantou a discussão da validade ou não de uma terceira dose da vacina”, disse Ana, que frisou não ser necessária a modificação do calendário vacinal com a introdução de uma terceira dose.

Ana Kalume ainda explicou que não há registro nacional de casos de caxumba, pois a notificação não é obrigatória, exceto em períodos de surtos. Já o representante da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) Alexandre Otávio Chieppe esclareceu que no Rio de Janeiro, no entanto, a comunicação ao governo estadual passará a ser compulsória. Em relação à vacina, Chieppe informou que a cobertura vacinal no território fluminense, em 2011, foi de 84%, o que é considerado satisfatório.

Após apresentar a situação epidemiológica da caxumba no Rio de Janeiro, o representante da SES-RJ disse que, desde 2014, já se antevia a possibilidade de um surto da doença. “A literatura indica que uma epidemia como a do Rio de Janeiro aconteceu, por exemplo, em 2006, 2010 e 2011 nos Estados Unidos. Aqui, no Estado, não tivemos nenhuma ocorrência de óbito e a situação mais grave ocorreu na área da Baixada Fluminense. De todo modo, é importante reafirmar que a aplicação da terceira dose não é necessária. O nosso calendário de vacinação é seguro”, informou.

Já o superintendente de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Guilherme Wagner, reiterou o número de ocorrências de caxumba na cidade. “Não sabemos identificar a razão deste dado, mas a quantidade de homens com a doença é muito maior, quase o dobro se comparada ao número de mulheres infectadas”, afirmou ele, que também falou sobre as regiões mais afetadas pela caxumba e forneceu o site www.riocomsaude.com.br para mais informações.

Representando a Fiocruz, Reinaldo de Menezes Martins ressaltou que outros países também não aplicam a terceira dose da vacina. “Realizamos várias pesquisas sobre a prevenção da caxumba, inclusive com a vacina tríplice. Em nenhum outro país foi recomendada a terceira dose de vacinação. O importante é continuar os estudos e gostaria também de agradecer ao CREMERJ a oportunidade de aperfeiçoar o debate sobre o tema”, disse ele, que enalteceu a qualidade da vacina empregada atualmente.

A segurança e a eficácia da vacinação também foram destacadas pela representante da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj) Tania Cristina Petraglia, que ainda ressaltou a importância da aplicação da vacina em pessoas com até 49 anos. “Os adultos devem ser orientados a procurar postos de saúde para colocar em dia o cartão de vacinação. Não é um hábito encaminhar o adulto para ser vacinado, mas essa conduta deve mudar”, afirmou.

O representante da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro (Sierj) Márcio de Figueiredo Fernandes, por sua vez, abordou o uso da vacinação em pacientes com HIV. “É importante levantar essa discussão, pois portadores de HIV também devem ser vacinados desde que seus exames estejam de acordo. A avaliação do estado imunológico deste paciente deve estar condizente. Se isso for certificado, a vacina pode ser aplicada”, frisou.

Para Gil Simões, o evento foi esclarecedor e permitiu uma visão mais ampliada em relação ao assunto. “Chegamos ao consenso de que a vacina contra caxumba é segura e de qualidade, que ela deve ser mantida e que não há indicação para uma terceira dose de rotina. As informações apresentadas foram importantes, tiraram as nossas dúvidas. Considero que o objetivo do fórum foi cumprido”, concluiu.