No Hospital de Bonsucesso, situação de gravidade persiste

26/08/2014


Durante fiscalização realizada nessa quinta-feira, 21, no serviço de Pediatria do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), o CREMERJ constatou graves problemas, principalmente na área de recursos humanos. Conforme relatos dos colegas, não há médicos suficientes para cobrir todos os plantões, as condições de trabalho são péssimas e faltam materiais, equipamentos e insumos para a realização de exames básicos.

A visita técnica, coordenada pelo diretor do Conselho Gil Simões, foi solicitada pelos pediatras da unidade, que vêm realizando várias reuniões com o CREMERJ na busca de soluções para reverter esse quadro caótico. 

Em função da deficiência de recursos humanos, uma das duas alas da enfermaria foi desativada. A outra possui 17 leitos, mas dois deles não estavam em funcionamento.  Na ocasião, o Conselho verificou ainda que há casos graves de crianças internadas no setor, algumas há mais de um ano.

Em relação às equipes, no plantão, faltam pediatras na segunda-feira à noite, quinta-feira na parte do dia, sexta-feira durante o dia e à noite e nos fins de semana. O ideal, de acordo com os médicos, seria um plantonista a cada 12 horas. Na rotina, há déficit nas segundas, quartas e quintas-feiras: nesses dias, há apenas um profissional quando deveria haver dois.

Diante desse quadro, muitas vezes a supervisão fica a cargo do pediatra da emergência, que é acionado em caso de alguma intercorrência. Na verdade, conforme salientaram os colegas, a enfermaria funciona como uma unidade intermediária, com alguns pacientes em estado grave, inclusive em assistência ventilatória.

Essa situação acaba afetando os residentes. Eles relataram ao CREMERJ que ficam angustiados por se verem obrigados, muitas vezes, a trabalhar sem supervisão. 

“Existem muitas condutas que deveriam ser discutidas com o staff. Mas quando a gente não consegue um contato, temos que tomar a decisão sozinho. O fato é que estamos em formação e ficamos à frente de casos de alta complexidade. Então, isso tudo acaba gerando um estresse emocional, tanto em nós como nos familiares das crianças, que se sentem inseguros com a falta de médicos experientes para acompanhar o atendimento”, disse um dos residentes. 

O diretor do CREMERJ frisou a importância do serviço de pediatria do HFB para a população.

“Essa situação crítica precisa ser resolvida, pois os colegas estão ficando sobrecarregados e o atendimento à população está sendo prejudicado. Vamos continuar acompanhando esse caso e cobrar mais uma vez que providências sejam tomadas”, afirmou Gil Simões.