CREMERJ constata condições precárias em UPAs de Petrópolis

20/06/2014


O CREMERJ fiscalizou duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Petrópolis nessa quarta-feira, 18, após denúncias de pacientes e de médicos. No dia da visita, foram constatadas irregularidades como a permanência de pessoas por mais de 15 dias e a superlotação da sala amarela. Também foram identificados problemas de vínculos na contratação dos médicos das unidades. 
 
O vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, e o conselheiro e coordenador da seccional de Petrópolis, Jorge Gabrich, estiveram nas UPAs do Centro e de Cascatinha, onde perceberam ainda o déficit de médicos nos plantões e a ausência de encaminhamento de pacientes para hospitais após o atendimento. Segundo Nahon, as duas UPAs estão sem direção médica registrada no Conselho, conforme determina a lei.
 
A sala amarela, com capacidade para sete, estava operando com oito pacientes. O oitavo foi acomodado, de forma improvisada, em uma maca. Além disso, foi flagrada a permanência de um dos pacientes por mais de 15 dias no setor. Porém, segundo o CREMERJ, as UPAs devem abrigar o doente por no máximo 48 horas, já que são destinadas a atendimentos de baixa e média complexidade.
 
"Não há sequer alimentação adequada. O motivo para um paciente permanecer esse tempo todo numa UPA de forma irregular, sem dúvida, é a falta de vagas em hospitais, um problema grave e crônico que, infelizmente, atinge o Estado do Rio de Janeiro como um todo", afirmou Gabrich.
 
Nelson Nahon chamou atenção para a falta de vínculos empregatícios com os médicos, o que resulta em conflitos para os profissionais e para os gestores das UPAs.
 
“O problema principal das duas UPAs é a falta de retaguarda: pacientes na sala vermelha que já deveriam estar no CTI e, na sala amarela, pessoas internadas pela ausência de leitos nos hospitais do município. Recebemos denúncias graves, como de crianças na sala amarela com diagnóstico de apendicite, que chegaram a ficar de dois a três dias aguardando uma vaga para a cirurgia, colocando assim a sua saúde em grave risco”, declarou.

O CREMERJ enviará uma cópia do relatório à prefeitura de Petrópolis e exigirá melhorias para a atual situação das UPAs do Centro e de Cascatinha, além de fazer denúncia ao Ministério Público da Saúde e do Trabalho.