Fórum sobre ensino médico termina com balanço positivo

08/05/2014


O "III Fórum CREMERJ e Ensino Médico – Desafios e Conquistas” foi encerrado nessa quarta-feira, 7, com um balanço positivo dos três dias do encontro. Realizado pela Comissão de Ensino Médico do Conselho em parceria com a Associação Brasileira de Ensino Médico (Abem), o evento propiciou a difusão de informações e a discussão de temas atuais no cenário da educação médica no país.A programação do último dia do encontro manteve a preocupação de permitir debates aprofundados e democráticos das questões que afligem o setor, além de antever suas implicações futuras, ao colocar em pauta temas como “O impacto da lei ‘Mais Médicos’ no ensino médico” e a “Visão do Conselho Federal de Medicina do programa Mais Médicos”.

O evento foi aberto pela coordenadora da Comissão de Ensino Médico do CREMERJ, conselheira Vera Fonseca, e pelo vice-presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, que destacou a importância do fórum como um todo, em especial por colocar em foco o programa que trouxe para atuar no Brasil médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma.

“Resultado de uma canetada em resposta às manifestações populares de junho de 2013, o programa também fez profundas modificações no ensino médico, sem que ninguém soubesse ou fosse consultado”, salientou.

Ao fazer um balanço do fórum, Vera Fonseca destacou que as discussões foram muito produtivas e de alto nível. Além disso, observou que cerca de 90% das escolas médicas do Rio de Janeiro se fizeram representar em algum momento do evento.

A presidente da Associação Brasileira de Ensino Médico (Abem), Jadete Lampert, classificou como fantástica a parceria com o CREMERJ, além de manifestar o interesse da entidade em ampliar este trabalho, inclusive envolvendo outras entidades regionais e nacionais, com a proposta de somar esforços em favor da melhoria da qualidade do ensino médico. “O momento é de crítica, reflexão, tomada de decisões e ações. Juntos temos forças e estamos abertos à construção de uma medicina de qualidade”, salientou.

Falando sobre “O impacto da lei ‘Mais Médicos’ no ensino médico”, Jadete afirmou que o projeto do governo surpreendeu porque não nasceu das discussões do setor e causou grande impacto. "É hora de sermos propositivos, discutirmos e agirmos para efetivar as ações necessárias. O modelo de ensino tem que mudar. O discípulo terá que acompanhar o mestre, como era antigamente, mas em outra estrutura e em outras condições. A questão que fica é: que médicos serão formados no bojo do Mais Médicos? Isso é o que nos inquieta”, afirmou.

Jadete também proferiu palestra sobre as novas “Diretrizes Curriculares” no que diz respeito aos cursos de graduação de medicina. Trata-se das normas obrigatórias para a educação, que orientam  o planejamento curricular das escolas, fixadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

O conselheiro e vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Aloísio Tibiriçá, explanou sobre a “Visão do CFM” do programa ‘Mais Médicos’, destacando que a iniciativa governamental impacta profundamente a formação médica. “Hoje os médicos estão sendo formados para trabalhar no mercado. Existe a idealização de que o médico precisa ser generalista, mas a pessoa se forma e não tem estímulo para trabalhar assistindo o povo brasileiro em locais carentes. É necessário algo além do chamamento do mercado, ou seja, estímulo público”, frisou.

De acordo com ele, o problema é que não há um projeto de Estado para a saúde no Brasil, de modo a guiar a formação dos alunos. “Há anos lutamos por financiamento, mas não há interesse, porque saúde não é uma questão prioritária para o governo. Como em outras profissões, o médico também possui ideais e vocações, só que elas são muitas vezes frustradas nas salas das emergências que não oferecem condições de trabalho”, destacou.