Abertura de novas escolas é tema central no 2º dia de fórum

08/05/2014


A Comissão de Ensino Médico do CREMERJ deu continuidade, nessa terça-feira,  6, ao "III Fórum: CREMERJ e Ensino Médico - Desafios e Conquistas". O encontro, que se encerra na quarta-feira, é resultado de parceria com a Associação Brasileira de Ensino Médico (Abem) e acontece no Auditório Júlio Sanderson.

Com um temário sempre em sintonia com os principais desafios do ensino médico no país, a programação do segundo dia do encontro discutiu e aprofundou por aproximadamente quatro horas questões como "Políticas de Expansão de Escolas Médicas nos últimos 20 anos", "Abertura de novas escolas", "Descredenciamento da Universidade Gama Filho" e a "Transferência Assistida: como está ocorrendo", entre outros assuntos. 

Ao fazer a abertura oficial da segunda noite do encontro, o presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira, destacou que muitas escolas médicas dão o exemplo de como deve ser o ensino médico, mostrando preocupação com o aluno, o currículo e o egresso. "O que não é possível é aceitar a abertura de 49 novas escolas, número que segundo a presidente da República pode chegar a mais de cem. Ficamos imaginando quem serão os professores dessas universidades e se temos número suficiente de mestres." 

Sidnei Ferreira sugeriu que o atual governo ou seu sucessor a partir de janeiro faça um planejamento nacional para a educação e a saúde. "É um absurdo termos saído da ditadura há mais de 20 anos e até agora nenhum governo ter se preocupado com essas questões, assim como transporte e habitação. É tudo feito no improviso. Surge um problema, os experts se reúnem durante dois ou três dias e em um mês já existe um plano, uma medida provisória ou uma lei, sem que se ouça as entidades, as academias, a sociedade organizada, que é o que estamos fazendo aqui no CREMERJ", disse.    

Na conferência "Políticas de Expansão de Escolas Médicas nos últimos 20 anos",  o professor da Unicamp e ex-titular do Departamento de Gestão de Educação em Saúde do Ministério da Saúde entre 2007 e 2011, Sigisfredo Breneli,  destacou que "em toda a história, o Brasil nunca teve uma política realmente efetiva e séria para a formação de recursos humanos na saúde". Para ele, essa característica vem desde 1808, quando foram abertas as duas primeiras faculdades de medicina no Brasil, no Rio de Janeiro e na Bahia. "Os interesses políticos sempre estiveram em primeiro lugar entre as preocupações dos governantes e isso se perpetua até os nossos dias. Nunca tivemos nenhum planejamento ou critério", completou. 

Breneli também questionou o embasamento governamental ao pretender criar 11.500 vagas nos cursos de medicina até 2020. Ele assinalou que o país possui, atualmente, 30 mil vagas no primeiro ano de medicina (um dos cursos superiores com menor grau de desistência no país), que os profissionais da área trabalham em média 45 anos e que menos de 10% mudam de área. 

Em sua palestra - "Abertura de novas escolas sob a ótica dos editais" -  o vice-presidente nacional da Associação Brasileiras de Ensino Médico (Abem), Francisco Barbosa, falou sobre a criação de cursos de medicina na área privada a partir da lei do "Mais Médicos" e do edital do Ministério da Saúde que permitiu que 49 municípios em 15 Estados viessem a solicitar a implantação de cursos. "O que é realmente necessário é que os governos façam mais investimentos e se preocupem com as condições para a residência médica, que efetivamente fixa o profissional de saúde nas regiões." 

Em sua palestra sobre o descredenciamento da Universidade Gama Filho, a coordenadora da Comissão de Ensino Médico do CREMERJ, Vera Fonseca,  fez um retrospecto da tradicional instituição que chegou a mais de 60 anos.  Ela, que integrou o corpo docente da universidade entre 2000 e 2008, onde também exerceu as funções de subcoordenadora do curso de medicina, criticou a omissão do Ministério da Educação durante o processo. "A indiferença das autoridades, principalmente em relação aos alunos, foi um verdadeiro absurdo", recordou. 

A coordenadora do curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá (Unesa), Maria Tereza Fonseca, palestrou sobre "Transferência assistida: como está ocorrendo", processo que busca facilitar a mudança de universidade de 1.700  alunos de medicina da extinta Gama Filho matriculados na Estácio de Sá. "Está tudo correndo dentro do esperado, com alunos frequentando as salas de aula e tendo aulas práticas, embora reconheçamos que ainda há muito a ser feito e com muitas dificuldades, complexidade e também muito trabalho pela frente. Apesar disso, estamos alcançado um certo padrão de regularidade nas expectativas do corpo docente e também dos alunos", salientou.  

A coordenadora da Estácio de Sá estava acompanhada no evento pelo coordenador da área de saúde da instituição, professor  Sérgio Cabral, que salientou que a absorção dos ex-alunos da Gama Filho é uma experiência única. "Tenho certeza de que tudo dará certo", assegurou.