Alunos da Gama Filho fazem manifestação no Centro do Rio

17/01/2014


Estudantes da Universidade Gama Filho e da UniverCidade promoveram uma manifestação nessa quinta-feira, 16, no Centro do Rio. Os alunos se concentraram em frente ao prédio do Ministério Público Federal (MP), na rua Nilo Peçanha, para pedir a intervenção do Ministério da Educação (MEC) nas instituições e mostrar repúdio ao descredenciamento delas, conforme anunciado pela pasta no início da semana. Cerca de 300 pessoas aguardavam o resultado de uma reunião entre procuradores e representantes do movimento, para saber se o MP entraria com a alguma ação judicial em favor das universidades.
 
Os conselheiros Pablo Vazquez e Gil Simões representaram o CREMERJ e mostraram mais uma vez apoio à luta dos estudantes. Membros da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro (UEE-RJ), do Diretório Central dos Estudantes (DCE), de todos os centros acadêmicos, da Associação de Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj) e do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) também participaram do mobilização.
 
Com faixas, os estudantes declararam gritos de ordem, que pediam justiça, respeito à educação e atenção da presidente da República, Dilma Rousseff, ao caso. Os alunos lembraram que desde 2012 vem denunciando para o MEC o sucateamento das instituições, porém nenhuma providência foi tomada.
 
“Não desistimos porque todos os alunos devem ser resguardados e ter a certeza de que irão se formar. Essa garantia é necessária. O MEC se omitiu durante muito tempo. Falamos que a Galileo Educacional era uma péssima gestora, mas nada foi feito. Agora, o ministério precisa assumir essa responsabilidade, e não descredenciar”, desabafou Rodrigo Mion, aluno do 10° período de medicina da Gama Filho.
 
O conselheiro Pablo Vazquez reafirmou a importância do movimento e ressaltou o descaso do governo federal com a educação.
 
“É lamentável ver que chegou a esse ponto. Temos acompanhado a luta desses alunos, que só estão cobrando o direito deles. O MEC não cumpriu o seu papel. O governo federal é que deve garantir o estudo desses estudantes. Agora, é difícil de entender como o governo quer abrir novas escolas de medicina no Rio, se não consegue solucionar o problema dessas instituições. A Gama Filho, por exemplo, tem tradição e é reconhecida como uma das melhores escolas de medicina do país”, declarou.
 
O presidente da Amererj, Diego Puccini, também expôs a sua indignação com a situação.
 
“Sempre fomos solidários ao movimento. Estudantes, funcionários e professores vivem um momento de incerteza, que tem que acabar. Há alunos que já cursaram 4, 5 ou 6 anos com muita luta e não merecem sofrer por causa da incompetência de uma mantenedora e de uma política de governo. Os prejudicados acabam sendo o futuro profissional e a sociedade”, afirmou.
 
Pais de estudantes também compareceram à mobilização. O médico Paulo César Cambraia, pai de Ana Luiza, do 10° período de medicina da Gama Filho, se disse decepcionado com a decisão do MEC.
 
“Depois de muita luta de estudo não se sabe o que vai acontecer. É triste saber que uma faculdade tradicional fechará as portas. É um descaso inexplicável conosco e com a educação”, completou.
 
Ana Luiza, por sua vez, mostrou que os alunos estão confiantes no movimento e esperam por uma resposta positiva.
 
“Não vamos aceitar esse descredenciamento. Uma universidade de outro estado passou uma situação semelhante, foi descredenciada e até agora a maioria dos alunos não foi transferida ou está insatisfeita com o local da transferência por ser longe. Estamos lutando pelo nosso futuro e não vamos parar”, garantiu.