CREMERJ pede ao Nerj solução para crise nos hospitais federais

04/12/2013


O presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira, e a sua diretoria estiveram nesta quarta-feira, 4, no Núcleo Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro (Nerj) para debater a situação dos hospitais federais localizados na cidade. O Conselho apontou problemas graves, como a falta de recursos humanos e de insumos, deficiência estrutural, superlotação das emergências, fechamento de serviços, ausência de concurso público e salários reduzidos.
 
O diretor-geral do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, João Marcelo Ramalho, afirmou que alguns problemas estão sendo resolvidos, principalmente em relação às obras nas unidades federais. De acordo com ele, devido a irregularidades detectadas nos processos licitatórios, todas as reformas ficaram suspensas durante um ano. Entretanto, agora, o caso está sendo regularizado. 
 
Segundo João Marcelo, o problema relacionado às obras já foi solucionado nos hospitais da Lagoa e de Ipanema. No Andaraí, ficou pendente apenas a maternidade; na unidade dos Servidores, faltam questões de manutenção como os elevadores; e no Cardoso Fontes, só não foram liberadas as obras na emergência. O Hospital Federal de Bonsucesso (HGB), por sua vez, é o único que ainda está em licitação.
 
João Marcelo disse ainda que está prevista a contratação temporária de médicos e outros profissionais de saúde para 2014 – cerca de 400 vagas –, com salários em torno de R$ 5 mil. De acordo com ele, para o ano que vem, não há perspectiva de concurso público e que o próximo a ser promovido deverá ser feito pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). João Marcelo acrescentou que no próximo ano os pontos eletrônicos serão implantados nas unidades.
 
O presidente do CREMERJ, por sua vez, demonstrou preocupação com a situação atual dos hospitais federais, que está com déficit de recursos humanos e outros problemas. Sidnei Ferreira citou, por exemplo, o Hospital do Andaraí, que, além da falta de médicos, cancelamento de cirurgias e superlotação da emergência, sofre com a falta de insumos básicos, como luvas e curativos. Ele destacou também o funcionamento precário da UTI pediátrica do Cardoso Fontes e da emergência do HGB, a falta de leitos de UTI, que pode tirar a oportunidade de vida de muitos pacientes graves, e a ausência de leitos de retaguarda. 
 
“Não temos dúvida de que há um interesse para resolver e de que o Nerj trabalha para isso, mas nos preocupa porque, em visitas e fiscalizações, está claro que a situação é gravíssima. Se não houver contratação imediata, o que já é grave vai piorar, porque mais serviços serão fechados. Além disso, emergências estão lotadas, médicos podem ser processados injustamente, aumenta-se a chance de agressões, enfim o caos reinante. As unidades precisam de uma solução rápida. Os médicos merecem condições dignas de trabalho e a população tem direito a um atendimento de qualidade”, declarou.
 
João Marcelo reconheceu a existência do problema e disse que o departamento tem trabalhado para apresentar soluções e que muitos processos estão em andamento. 
 
No final da reunião, Sidnei Ferreira e os diretores do CREMERJ Gil Simões e Erika Reis entregaram uma cópia dos relatórios das fiscalizações feitas pela entidade recentemente.
 
Também participaram do encontro o coordenador do DGH, Luiz Carlos Studart, e o assessor técnico da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Carlos Soares.