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CREMERJ fiscaliza Hospital Municipal Lourenço Jorge

08/04/2016


Em fiscalização no Hospital Municipal Lourenço Jorge (HMLJ), nesta quinta-feira, 7, o CREMERJ constatou que é crítica a situação da unidade. Havia pacientes internados no corredor, ausência de leitos e de bolsas de sangue, déficit de profissionais e baixos estoques de medicamentos e insumos. A vistoria, realizada a pedido da Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), faz parte do Programa de Monitoramento Hospitalar da Defensoria, que tem o objetivo de percorrer diversos hospitais municipais e estaduais nos próximos meses para averiguar a situação de cada unidade.
 
Durante a visita, a Comissão de Fiscalização (Cofis) do CREMERJ constatou superlotação na emergência. Com capacidade para 46 leitos, o espaço estava com 70 pacientes internados, muitos deles em macas no corredor. Também foi verificada que a Unidade Intermediária, com oito leitos, esta fechada por falta de pessoal. Fica patente a necessidade de ampliação no número de leitos do Centro de Tratamento Intensivo (CTI).  A Unidade, que é referência para urgências/emergências para a Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá, continua sem serviço de neurocirurgia.   
 
A deficiência do número de leitos psiquiátricos foi outro ponto de avaliação. De acordo com a direção do Lourenço Jorge, a unidade tem recebido muitos pacientes com esse perfil. Com dificuldade para transferi-los para outros hospitais, os pacientes ocupam a enfermaria por mais tempo, dificultando novas internações. 
 
Em relação ao corpo clínico, foi constatada a presença de pós-graduandos trabalhando como profissionais do quadro. Segundo relatos de colegas, a atuação deles não é supervisionada além de existirem médicos estatutários da rede municipal com uma segunda jornada atuando como pós graduandos.
 
“Quando se coloca profissionais para trabalhar na unidade de forma provisória e sem uma supervisão há prejuízo de toda a estruturação das equipes. Defendemos a realização de concursos públicos, o que promove o comprometimento do profissional e a fortalecimento dos projetos e fluxos de trabalho”, declarou o coordenador da Cofis, o diretor Gil Simões.  
 
Ele também mostrou preocupação com o fato de que, mesmo com essa realidade, o Lourenço Jorge é um dos hospitais referenciados para o atendimento de urgência e emergência dos Jogos Olímpicos, que acontecem em agosto. Além disso, Gil Simões chamou a atenção para o possível agravamento da superlotação da unidade com a reestruturação do modelo de atendimento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
 
“Com certeza o fechamento das UPAs vai aumentar a demanda e impactar o Lourenço Jorge e toda rede municipal. Se hoje esses hospitais não conseguem atender toda a demanda que chega, imagina quando as pessoas não tiverem outras opções”, explicou. 
 
Durante a fiscalização, a defensora pública Thaíssa Guerreiro e a promotora Madalena Aires também questionaram o funcionamento da regulação, o pagamento de fornecedores, a falta de medicamentos e insumos, a fila de cirurgias e a contratação de recursos humanos. As próximas fiscalizações seguirão um cronograma pré-definido e acontecerão ao longo de abril e maio.