CREMERJ realiza VI Simpósio de Medicina Aeroespacial

23/07/2015


A “Medicina aeroespacial e os aspectos médicos legais” foi o tema escolhido para o VI Simpósio de Medicina Aeroespacial realizado pelo CREMERJ, nesse sábado, 18, na sede do Conselho. O diretor responsável pelo Grupo de Trabalho de Medicina Aeroespacial do CREMERJ, Serafim Borges, abriu o evento ressaltando a importância do assunto, já que o questionamento sobre a conduta médica abrange aspectos éticos e jurídicos.
 
 “A medicina aeroespacial não é uma especialidade médica. Ela funciona no Conselho como um grupo de trabalho e trata exatamente dos problemas que podem ocorrer durante um vôo, por exemplo. Como se aborda o paciente, como atuar e fazer esse procedimento, e se o médico tem autorização legal para fazer isso, são alguns dos principais questionamentos e vamos falar disso”, explicou Serafim.
 
Segundo o coordenador do Grupo de Trabalho sobre Medicina Aeroespacial do Conselho, Carlos Gerk Filho, anualmente, os médicos são convidados para debater temas que estejam em destaque no momento. “Já falamos sobre fisiologia, discutimos como fica o médico no aeroporto, e tivemos colegas, que eram da Infraero e nunca foram instruídos sobre como proceder. Este ano houve uma dúvida sobre a quem cobrar pelo atendimento feito em um voo. Há muito o que falar sobre os aspectos legais”, declarou Carlos Gerk Filho.
 
Após a abertura do evento, o coordenador do grupo de trabalho citou ainda alguns números e as principais causas de atendimentos a bordo. Entre dezembro de 2003 e novembro de 2008, foram 4.068 emergências, com 46 pousos e 30 óbitos por um bilhão passageiros/quilômetros. As principais causas foram neurológicas e cardíacas e de obstetrícia ou ginecológica.
 
Em seguida, o médico e advogado Renato Battaglia discorreu sobre a obrigatoriedade ou não do atendimento a um paciente durante um voo. “O nosso código penal praticamente nos obriga a atender. Se o acontecimento chegar a um processo, o médico tem que estar ciente de seus atenuantes. Fatores como estar cansado, se o mal-estar do passageiro não for da sua especialidade, se estiver sob efeito de sedativos ou dormindo e não ter escutado o chamado de socorro são questões levadas em consideração por juízes”, explicou.
 
Outro assunto abordado foi o kit médico das aeronaves, assim como as condutas e procedimentos recomendados pela Agência Nacional de Aviação (DIP), que foram debatidos pelos médicos Flávio José Morci, Luiz Beethoven e Marcos Afonso Braga Pereira.
 
Para finalizar o evento, Rolland Duarte de Souza explicou o que é a telemedicina e a importância dessa tecnologia de ponta para os casos de emergências médicas a bordo. “Não podemos esquecer que a anamnese presencial é insubstituível, mas o atendimento virtual, que é do que se constitui basicamente a telemedicina, pode ajudar um leigo a socorrer um paciente em pleno ar”, acrescentou.
 
Após as explanações dos médicos convidados, foi aberto o espaço para debates e perguntas dos 50 profissionais presentes.