CREMERJ participa de reunião com Comissão Nacional da Verdade

25/09/2014


O presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira, participou de uma reunião com integrantes da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e da Comissão Estadual da Verdade (CEV) nessa terça-feira, 23, no Hospital Central do Exército (HCE). Um grupo formado por Sidnei Ferreira, pelo coordenador da CNV, Pedro Dallari, pelo assessor do ministro da Defesa, por militares e por outros membros da CNV e da CEV buscaram informações sobre a localização dos prontuários de ex-presos políticos.

Paralelamente a isso, peritos, sobreviventes e testemunhas fizeram o reconhecimento da unidade, local onde faleceu o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira na década de 70 A inspeção tinha o objetivo de identificar áreas onde os presos políticos ficavam na época.

O encontro contou com a presença de militares, entre eles, o general Barcelos, que é comandante da primeira região militar do Rio de Janeiro, e o general Victor Cesar, que é médico e diretor geral do HCE. Rosa Cardoso, membro da CNV, disse que ninguém soube dar informações sobre os prontuários.

“Ressaltamos que é muito importante encontrar o documento das pessoas que passaram por aqui. A resposta que os militares nos deram foi que esses documentos não foram encontrados, apesar de terem sido procurados. Não vamos desistir de localizar esses prontuários. Essa é uma luta de toda a sociedade brasileira, de pesquisadores, dos sobreviventes e dos seus familiares”, acrescentou Rosa, lembrando que há pressa quanto aos prontuários, já que o relatório da comissão precisa ser concluído até dezembro.

Apesar da localização dos documentos ainda não ter sido identificada, o coordenador da CNV, Pedro Dallari, considerou a reunião satisfatória e disse não ter ansiedade para obter as respostas.

“Durante o encontro, chegamos à solução de formar um grupo de trabalho para acompanhar essa questão dos prontuários. O importante é reunir o máximo de informações para serem aproveitadas no relatório. Vamos deixar um legado com todas essas informações e documentos. Tudo isso irá para o Arquivo Nacional”, afirmou.

No encontro, a presidente da CEV, Nadine Borges, pediu a colaboração do CREMERJ para ter acesso aos prontuários solicitados pelos sobreviventes ou parentes das vítimas. O presidente do Conselho, Sidnei Ferreira, por sua vez, garantiu apoio ao trabalho da Comissão da Verdade.
 
"Apoiamos a causa e, dentro da nossa prerrogativa, faremos tudo o que pudermos para contribuir com os projetos da comissão. Muitos médicos ajudaram aos que lutaram contra a ditadura. Infelizmente, alguns colaboraram com a repressão, sendo cassados pelo Conselho", declarou Sidnei Ferreira.

Para Ana Miranda, do Coletivo Rio de Janeiro Memória, Verdade e Justiça, é importante a colaboração do CREMERJ para conseguir os prontuários. Além disso, ela considerou fundamental que os depoimentos sejam relatados nos locais onde os atos de violência foram realizados para torná-los visíveis e resgatar a memória.

“É interessante esse caminho da memória. Aqui, no HCE, eu fiquei isolada e dopada quase o tempo todo. Mas, no Batalhão da Polícia do Exército, onde visitamos pela manhã, localizei a área onde fiquei amarrada em um poste em contato com um jacaré de cerca de um metro. Isso, sim, é terrorismo. Já na reunião no HCE, a pauta foi focada na localização dos prontuários. A CNV, CEV, a Comissão Nacional de Reforma Sanitária e o CREMERJ conversaram muito sobre isso com o diretor do hospital. A CNV pedirá, via Ministério da Defesa, que dois pesquisadores trabalhem em cima dos arquivos do HCE”, destacou Ana Miranda.

Ainda na terça-feira, 23, a CNV realizou diligências de reconhecimento no 1º Batalhão de Polícia do Exército, onde abrigou o Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército, conhecido como o DOI do Rio – um dos principais centros de tortura da cidade.

O membro da CNV Paulo Sergio Pinheiro também acompanhou a reunião e as inspeções realizadas no Batalhão de Polícia do Exército e no HCE.