CRM participa de ação do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

10/09/2014


Participando do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro), o CREMERJ estará iluminado de amarelo durante esta semana, para simbolizar o compromisso com a vida. A ação faz parte da Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio, que é promovida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e conta com o apoio de várias entidades médicas e órgãos públicos em todo o país.

Os edifícios do Congresso Nacional e o museu dedicado ao ex-presidente Juscelino Kubitschek – Memorial JK, ambos em Brasília, também serão iluminados.

A cor escolhida para a iluminação dos prédios significa vida, luz e alegria e, para os organizadores, é o contraponto simbólico ideal do problema.

A ação faz parte de uma estratégia que se estenderá pelos próximos meses e que busca dar visibilidade às questões relacionadas à prevenção ao suicídio. Em outubro, serão lançadas publicações voltadas para os médicos e a população em geral, com informações sobre o perfil de potenciais suicidas, quadros que podem levar ao problema e onde buscar orientação.

"O CREMERJ apoia totalmente a campanha e parabeniza o CFM a ABP pela iniciativa. Vamos divulgar, mobilizar a categoria e fazer o que estiver ao nosso alcance para alertar a todos sobre esse tema", frisou o presidente do Conselho, Sidnei Ferreira.

Para o conselheiro do CREMERJ e presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), Paulo Cesar Geraldes, o suicídio é um problema de saúde pública, passível de prevenção. "Essa campanha é extremamente importante, não só para chamar a atenção da população, mas também das autoridades, na medida que ela destaca a necessidade da capacitação e valorização dos profissionais que atuam em todos os níveis de atenção à saúde, para que possam reconhecer os fatores de risco nos pacientes,  e, assim sendo, tentando evitar o problema."

Dados alarmantes – De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. No Brasil são quase 12 mil casos por ano. Para a ABP e o CFM, falta uma política de atenção, com infraestrutura e recursos humanos suficientes, para ajudar quem sofre com estresse, depressão e esquizofrenia, transtornos que podem levar ao desejo suicida.

O Brasil é o quarto país latino-americano com o maior crescimento no número de suicídios entre 2000 e 2012, segundo relatório divulgado no início de setembro pela OMS. Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. Chama a atenção o fato de o número de mulheres que tiraram a própria vida ter crescido mais (17,80%) do que o número de homens (8,20%) no período de 12 anos.

A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.

O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, ressaltou a subnotificação dos casos, pois, segundo ele, grande parte das tentativas de suicídio não chega aos registros oficiais por não existir notificação compulsória. “Ainda faltam políticas públicas voltadas especialmente para o grupo, entre elas ambulatórios especializados e um serviço telefônico gratuito e nacional que funcione 24 horas. Além desses serviços, a OMS acrescenta medidas como reduzir acesso a armas de fogo, pesticidas e medicamentos, principais métodos usados na prática”, disse.

Em 2006, o Ministério da Saúde publicou uma portaria com as diretrizes do que seria uma  estratégia nacional de prevenção ao suicídio. Entre as medidas estavam previstas campanhas para informar e sensibilizar a sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido. Segundo as entidades médicas, no entanto, até agora a política não saiu do papel. Ao contrário disso, segundo último levantamento elaborado pelo CFM sobre leitos no Brasil, só em psiquiatria foram desativados quase 7.500 leitos entre janeiro de 2010 e julho do ano passado.