Assembleia reúne médicos do Hospital Federal de Ipanema

26/03/2014



Médicos do Hospital Federal de Ipanema se reuniram nesta segunda-feira, 24, com representantes do CREMERJ e do Sinmed-RJ para conversar sobre os problemas da unidade e a greve dos médicos federais. No encontro, os colegas destacaram que têm enfrentado vários embates com o governo para que o hospital continue funcionando dentro de seu perfil.
 
“Se dependesse do governo, o Hospital de Ipanema, que é uma referência na área de cirurgia, não existiria mais”, desabafou um colega.
 
 Os médicos da unidade reclamaram também dos baixos salários, das condições precárias de trabalho e da falta de concursos públicos. Eles se mostraram ainda preocupados com a insalubridade e a questão de recursos humanos.
 
Segundo os relatos, a exemplo do que acontece em outros hospitais públicos, desmotivados, muitos médicos vêm solicitando aposentadoria e não há concurso público para a reposição do quadro.
 
Em relação à greve, os colegas salientaram a importância da união entre os médicos de todos os hospitais – não só nas questões que são de interesse da categoria, mas também das específicas de cada unidade. Por outro lado, eles ressaltaram que a população deve ser esclarecida sobre os problemas enfrentados pela saúde e de que forma afetam a vida de cada cidadão.
 
A conselheira do CREMERJ Vera Fonseca observou que os programas de governo para saúde, como o Mais Médicos, afetam a medicina na universidade – porque altera as diretrizes curriculares e abre de forma indiscriminada novas escolas de medicina – e na residência médica.
 
A nova medida do governo, a portaria 155 do Ministério da Saúde foi outro assunto abordado no encontro.
 
“Os médicos não terão autonomia para operar seus pacientes, pois o SISREG passará a regular todas as vagas. Isso vai interferir diretamente na relação entre médico e paciente”, ressaltou Vera Fonseca.
 
O espírito de luta dos profissionais do Hospital Federal de Ipanema foi lembrado pelo conselheiro Armindo Fernando da Costa.
 
“Na luta contra o governo, que queria transformar o Hospital de Ipanema num centro de transplante, os colegas deram um verdadeiro exemplo de força. Agora, nesse momento em que o governo culpa os médicos pelo caos na saúde, temos que ser um exemplo de mobilização. O Rio de Janeiro será uma vitrine para o Brasil inteiro”, declarou.
 
Na ocasião, as entidades médicas também divulgaram o ato público em defesa da saúde que acontecerá do dia 7 de abril, às 10h, na Cinelândia.
 
Participaram também do encontro o conselheiro do CREMERJ Gilberto dos Passos e o presidente do Sinmed-RJ, Jorge Darze.