Secretaria de Saúde fecha UTI pediátrica do Souza Aguiar

12/02/2014


Na foto, diretores do CREMERJ em reunião com médicos da unidade

 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) decidiu, nesta terça-feira, 11, fechar a UTI pediátrica do Hospital Municipal Souza Aguiar. A ordem foi para encerrar as atividades da unidade e transferir todos os pacientes para o Hospital Miguel Couto. A decisão surpreendeu o CREMERJ, pois, após inúmeras visitas e fiscalizações, o Conselho fez denúncias ao Ministério Público e entrou com uma ação na justiça contra as péssimas condições da unidade, além da falta de recursos humanos. Até agora, nada tinha sido feito.

"A situação é essa: as crianças graves que serão atendidas na emergência correrão sérios riscos porque a UTI do Miguel Couto não vai suprir a demanda. Em vez de contratar novos médicos, eles optaram por fechar o setor. Isso é um crime, a condição está insustentável", declarou Sidnei Ferreira, presidente do CREMERJ. 

Dois médicos estatutários pediram exoneração recentemente devido às péssimas condições da unidade. Hoje, mais dois residentes também pediram para sair. No final de novembro, a diretoria do CREMERJ esteve no hospital em uma reunião com os médicos, que denunciaram o número reduzido de intensivistas no setor. Um membro da Comissão de Ética Médica do hospital também acompanhou o encontro.

Na época, havia oito intensivistas, enquanto deveria ter 17. Não havia médico de rotina nem chefia na UTI pediátrica. A solução encontrada foi colocar dois residentes no setor. Na ocasião, o Conselho entrou em contato com o secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, para pedir uma solução para esse problema, como a contratação imediata de médicos para atuar na UTI pediátrica. Em janeiro, a direção do Conselho retornou ao hospital. Novamente, nenhuma decisão foi tomada.

A UTI pediátrica é referência para o treinamento de residentes do Souza Aguiar, do Inca, da UFF e da UniRio. Entretanto, o número reduzido de médicos no setor estava prejudicando o aprendizado. De acordo com os residentes, o principal problema é a falta de preceptoria, que é mais uma função do único médico de rotina e chefe do setor.