Médicos e entidades defendem reabertura da Santa Casa

07/11/2013


Depois da interdição do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia pela Vigilância Sanitária Estadual (Anvisa) no dia 9 de outubro, médicos, chefes de serviços, funcionários, membros do CREMERJ e de outras entidades de classe realizaram, nesta quarta-feira, 6, uma reunião no auditório da unidade para definir uma estratégia com o objetivo de reabrir a instituição. Com o fechamento do hospital, vários pacientes crônicos ficaram sem atendimento e sem receber medicamentos para dar continuidade ou iniciar o tratamento.

Entre as ações deliberadas no encontro, estão: a formação de uma comissão técnica com a participação de médicos e funcionários; a marcação de audiências com deputados federais e estaduais; e o apoio da sociedade civil. Uma nova reunião foi agendada na próxima segunda-feira, 11, às 11h, para avaliar o resultado desses atos e, provavelmente, agendar uma mobilização pública. 

O presidente do CREMERJ, Sidnei Ferreira, criticou a interdição do hospital e apontou como solução a integração da unidade ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Encontramos problemas de recursos humanos e de infraestrutura em todos os hospitais que visitamos. É preciso suprir essas deficiências, sem fechar, pois cada instituição tem o seu valor e é insubstituível. A Anvisa fechou tudo, inclusive os ambulatórios da Santa Casa que nem foram vistoriados. Vamos lutar pelo funcionamento digno desta instituição e por um financiamento do SUS, com controle social. Nossa causa é nobre, porque lutamos por uma saúde de qualidade para população”, declarou. 

Para o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, é importante promover um programa para reintegrar a Santa Casa ao SUS, além de resolver os problemas detectados pela Anvisa. Já o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Jorge Darze, reforçou a importância de reabrir a instituição, fundada em 1582, que é referência no tratamento de diversas doenças.

Após a reunião, Sidnei Ferreira, Geraldo Ferreira e Jorge Darze seguiram diretamente a Brasília, onde participariam de uma audiência com o deputado federal Antônio Brito, que é ex-presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia (CMB), para debater uma proposta para a instituição filantrópica do Rio de Janeiro.

Representantes da Santa Casa também lamentaram o fechamento da unidade, pois, segundo eles, ao invés do governo apresentar uma solução, fechou as portas, deixando os pacientes desassistidos. Eles ressaltaram ainda que esta semana haverá uma reunião com a Anvisa para rever a interdição.

Outro problema que a Santa Casa enfrenta é o atraso no pagamento dos funcionários por falta de verba. De acordo com membros da instituição, precisa-se de cerca de R$ 6 milhões para quitar as principais dívidas, com prioridade para o salário dos colaboradores.

Participaram também do encontro: as conselheiras Erika Reis e Kássie Cargnin; integrantes do Conselho Estadual da Saúde, das associações e das sociedades de especialidade, além de alguns pacientes.

O Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia foi interditado após uma fiscalização da Anvisa que constatou irregularidades, como o fechamento das enfermarias, dos consultórios, da sala de cirurgia e da sala de esterilização. O provedor da instituição, Dahas Zarur, também está afastado do cargo desde 29 de agosto, em função de uma operação da Delegacia Fazendária (Delfaz) em conjunto com o Ministério Público (MP).