Revalida, sim!: médicos e estudantes protestam no Rio

25/05/2013


Em várias partes do Brasil, estudantes de medicina promoveram o ato público "Revalida, sim!", para protestar contra a intenção do Ministério da Saúde (MS) de importar médicos estrangeiros sem a revalidação do diploma. Na cidade do Rio de Janeiro, a manifestação, que recebeu o apoio do CREMERJ, reuniu, na Praia de Copacabana, cerca de 300 pessoas, entre médicos, acadêmicos e cidadãos. O representante do "Revalida, sim!" na capital, Ricardo Contó, falou sobre o verdadeiro objetivo do movimento.

"Não temos nada contra os médicos estrangeiros, nem contra os colegas brasileiros que estudam no exterior. Apenas somos a favor da revalidação do diploma, que é um ato obrigatório e, principalmente, uma garantia para a população", explicou.

Em seu pronunciamento, a presidente do CREMERJ, Márcia Rosa de Araujo, ratificou que o CREMERJ é veementemente contra a medida que o governo federal planeja adotar e afirmou que o Conselho do Rio de Janeiro não aceitará registrar médicos formados no exterior nessas condições.

"A população merece um atendimento de qualidade e a revalidação do diploma é fundamental para que isso aconteça. Se for preciso, tomaremos todas as providências para impedir a concretização dessa medida, que é antiética, ilegal e desnecessária. Ao invés de importar médicos, o MS deveria criar um plano de carreira de estado. Não há incentivo para os colegas irem trabalhar no interior, pois não tem estabilidade e, em alguns casos, as condições de trabalho são precárias. Não somos xenófobos, somos contra atitudes covardes", declarou.

Representantes de outras entidades médicas também demonstraram repúdio em relação ao ato de não revalidar o diploma. O presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ), Jorge Darze, falou que esse é um importante momento para que médicos e acadêmicos se unam contra essa intenção absurda. Já a presidente da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), Beatriz Costa, reforçou que, para melhorar a gestão da saúde, precisa-se de um plano de carreira.

"O governo está oferecendo medidas paliativas, e não de estado. Ao contrário do que justifica o MS, têm, sim, médicos suficientes no país e a revalidação do diploma é justa, não pode acabar", disse.

Estudantes de várias universidades como Unig, Unigranrio de Duque de Caxias e da Barra da Tijuca, Gama Filho, Estácio e alunos do município de Vassouras compareceram ao ato e mobilizaram a população com discursos e entrega de panfletos. Durante a manifestação, a vice-presidente do CREMERJ, Vera Fonseca, destacou a iniciativa dos acadêmicos de promover o "Revalida, sim!".

"Não é certo que os nossos estudantes passem por tantas avaliações honestas, entre elas, vestibular e residência médica, e pessoas que não se formaram no Brasil receberem o registro sem a revalidação do diploma. A importação de médicos não é a solução para a saúde pública e suplementar. O Rio não vai permitir isso. Os acadêmicos entenderam o quão injusta é essa proposta e organizaram um ato nacional.  A nossa categoria não deixará de lutar", afirmou.

Compareceram ao "Revalida, sim!", os conselheiros Luís Fernando Moraes, Alkamir Issa, Marcos Botelho e Armindo Fernando da Costa. Em Itaperuna, o movimento, que também foi apoiado pelo Conselho, foi representado pelo coordenador da seccional Carlos Eugênio de Barros.

O CREMERJ convidou ainda os participantes do Rio para estarem no dia 5 de junho, na Cinelândia, às 10h, para um protesto em defesa da valorização da medicina.