Congresso de Emergência: falta de recursos humanos é crítica

11/05/2013


Cerca de duas mil pessoas, entre médicos e acadêmicos, participaram do XII Congresso de Emergência do Rio de Janeiro, promovido pelo Grupo de Trabalho sobre Emergência do CREMERJ, no Centro de Convenções Sul América, neste sábado, 11. Na abertura oficial, o conselheiro Aloísio Tibiriçá, que também é vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, fez uma apresentação sobre a situação das emergências e as ações do CREMERJ no decorrer dos últimos anos em prol da saúde pública.
 
Entre os dados compartilhados, mostrou-se que a falta de recursos humanos é o que há de mais crítico atualmente. Segundo pesquisa feita em 2011 pelo Conselho, a carência de médicos foi constatada em 70% dos hospitais públicos, situação que piorou principalmente após a aposentadoria de alguns colegas. Hoje, as emergências continuam superlotadas, dificultando a realização do trabalho médico. Há mais médicos temporários do que estatutários na maioria das unidades públicas, tanto federal como estadual e municipal. Outro problema é a diversidade de vínculos empregatícios nos hospitais públicos. Têm unidades com mais de seis tipos de contratação diferentes - todos com salários distintos.
 
"As condições de trabalho contribuem muito para fixar um profissional, assim como o salário. O médico quer fazer o seu trabalho, mas às vezes se sente impossibilitado por razões que não dependem dele, como a infraestrutura. Vendo que esse quadro só se agrava e que não há expectativa de melhora, ele se sente, obviamente, desmotivado e acaba buscando outra oportunidade", afirmou Aloísio Tibiriçá.
 
Na luta pela valorização do médico e da saúde pública, destacaram-se várias ações do CREMERJ, entre elas: proposta sobre a normatização dos serviços e a reorganização do subsistema de emergência do estado do Rio; resolução 100/1996, pioneira em mostrar os perfis de cada unidade, além de outras peculiaridades; recomendação CREMERJ às emergências, com sugestões factíveis à gestão pública que não precisavam de investimentos elevados; mobilizações em favor do médico, de maior financiamento para a saúde e contra salários irrisórios; e lançamento da campanha "O Médico Vale Muito".
 
Também participaram da mesa de abertura a presidente do CREMERJ, Márcia Rosa de Araujo; a deputada federal Jandira Feghali; o coronel Fernando Suarez Alvarez, que representou o Grupo de Socorro de Emergência do CBMERJ; e a subsecretária estadual de Unidades Próprias, Ana Lúcia Eiras. Representantes das esferas federal e municipal não compareceram. Após o debate, o Conselho fez uma homenagem ao médico Christian Ferreira, por sua contribuição com a causa das emergências, e a médicos de diversos hospitais, que foram escolhidos pelos próprios colegas da unidade.
 
"Essa crise de recursos humanos não será resolvida trazendo médicos estrangeiros para o Brasil, sem que eles façam prova de revalidação. Estamos vivendo um momento crítico, mas o CREMERJ não desistirá dessa causa. Fazemos um apelo à presidente Dilma Rousseff que nos receba e nos ajude a resolver esse caos que está a saúde pública. Contamos com cada médico não só tecnicamente, mas para fortalecer esse movimento pela valorização da nossa categoria", declarou Márcia Rosa.

Este ano o congresso inovou com a realização da mesa especial que reuniu chefes de emergência e de equipe de vários hospitais públicos do Rio de Janeiro para debater sobre a situação de atendimento no setor. Na ocasião, falou-se ainda sobre a regulação de vagas. Representantes do estado e do município compareceram com exceção do federal.
 
Coordenado pelos conselheiros Aloísio Tibiriçá e Erika Reis, o evento contou com quase 80 conferências, proferidas por aproximadamente 140 especialistas, entre palestrantes, debatedores e coordenadores de salas. A programação foi distribuída em módulos: de emergências clínicas e cirúrgicas; de emergências ginecológicas e obstétricas - coordenada pela conselheira Vera Fonseca -; e de emergências pediátricas - sob coordenação do conselheiro Sidnei Ferreira. Os congressistas puderam ainda participar de atividades práticas em oficinas e cursos.