Cera de ouvido pode diagnosticar câncer

11/12/2019

O diagnóstico e a cura do câncer podem estar mais perto de nós do que imaginamos. Pesquisadores do Laboratório de Métodos de Extração e Separação (Lanes), do Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (IQ/UFG), descobriram que o caminho pode estar no cerúmen, popularmente conhecido como cera de ouvido. Eles conseguiram descobrir se indivíduos estavam doentes ou saudáveis por meio de amostras da secreção. A pesquisa foi publicada na revista Scientic Reports

Dos 102 pacientes analisados, 50 não foram diagnosticados com a enfermidade e 52 apresentaram câncer. Foram três tipos da doença detectados: o carcinoma (tumor maligno), linfoma (atinge o sistema linfático) e leucemia (afeta o sangue). O próximo objetivo é acompanhar os indivíduos com câncer, aplicando o exame do cerúmen  para ver como a doença progride. Isso porque a cera pode ser uma alternativa para pesquisar a cura do problema.

Os pesquisadores explicaram que para realizar a análise, a cera coletada foi aquecida, gerando um vapor que foi analisado pelos cientistas. O exame permitiu traçar um perfil do metabolismo de cada pessoa, possibilitando o diagnóstico de câncer. Segundo os especialistas envolvidos no estudo, outras substâncias presentes na cera de ouvido podem servir para detectar doenças como diabetes e xeroderma.  

Apesar da inovação e praticidade, a técnica ainda está longe de ser implementada em hospitais e consultórios. Mas, os pesquisadores revelaram que estão trabalhando para que o exame da cera de ouvido chegue à população. A ideia é implantar uma rede de diagnóstico em estabelecimentos públicos de saúde e de ensino superior.

Dados

Para 2018, a estimativa no Brasil era de cerca de 600 mil novos casos de câncer, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), publicados na Estimativa 2018 de Incidência de Câncer no Brasil. O câncer de pele não melanoma é o mais frequente no país, e a segunda posição é ocupada pelo câncer de próstata, para homens, e de mama, para mulheres.

*Matéria retirada do Cremerj em Revista, edição nº 4.