Na Mídia - Conselho de Medicina cassa registro profissional de Côrtes

Extra /

01/10/2019


O Conselho Federal de Medicina (CFM) cassou o registro profissional do ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes, réu em processos da Lava-Jato. Agora, ele só pode reverter a decisão que retirou seu direito de exercer a medicina se acionar a Justiça. Um edital anunciando a decisão foi publicado ontem em jornais do Rio.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) já havia cassado, em setembro do ano passado, o registro profissional do ex-secretário. Com o recurso da defesa, o caso foi remetido à decisão do CFM. Enquanto não havia o julgamento do conselho federal, Côrtes pôde exercer a profissão. Ele foi preso duas vezes na Lava-Jato, acusado de receber propina de empresários do ramo da Saúde, mas, atualmente, está solto. Tanto no período em que esteve preso quanto depois que deixou o presídio, Côrtes desempenhou a profissão na cadeia, atendendo outros detentos. Para isso, tinha autorização da Justiça.

O CFM entendeu que Côrtes infrigiu artigos do Código de Ética Médica que proíbem o uso da profissão para corromper costumes, cometer ou favorecer crime e de exercer 'a profissão com interação ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização destinada à fabricação, manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza'.

Côrtes foi acusado de comandar o braço do esquema de corrupção do ex-governador Sérgio Cabral na área da Saúde. O médico teria formado uma parceria com o empresário Miguel Iskin na cobrança de propina aos fornecedores de equipamentos e serviços para a rede estadual de Saúde.

Flavio de Sá, diretor do Cremerj, afirmou ser difícil que Côrtes reverta a cassação na Justiça. Este ano, somente no Rio, ao menos seis médicos perderam o registro.

- Acho muito difícil (que ele reverta a decisão na Justiça). Não tem história de médico que tenha ganho na Justiça contra medida de cassação - afirmou o diretor.

A defesa de Côrtes emitiu nota: 'A decisão do Conselho de Medicina é ilegal, pois somente compete aos conselhos fiscalizar o exercício da prática da medicina. Nenhum ato neste sentido foi apontado, visto que os fatos usado de suposta base para tal decisão dizem respeito à sua conduta como gestor e não como médico. Aliás, neste ponto, cumpre dizer que Sergio Côrtes vem colaborando com as investigações e, até a presente data, não possui contra si qualquer sentença condenatória'.