Dois dedos de prosa com Raphael Câmara

21/05/2019


Raphael Câmara Medeiros Parente é filho de farmacêuticos e o mais velho de três irmãos. Fala francês fluentemente por ter sido alfabetizado na França quando seu pai cursou seu doutorado lá. Costuma ir à academia quando consegue, gosta de viajar, é alucinado por leitura de livros de biologia, evolução natural, física e astronomia. Curte também filmes de terror. Para ele, o cineasta indiano Shyamalan está na lista dos seus favoritos. No CREMERJ, é membro do grupo de conselheiros e atua como o médico responsável do Grupo de Trabalho Materno Infantil.

 

Quando mais novo queria ser astrônomo. Ele conta que na época do vestibular, mesmo tendo o desejo de cursar astronomia, seu pai – pensando em seu futuro profissional - o orientou a escolher a medicina.

“Acabei apaixonado por minha profissão e no fim da faculdade fiquei na dúvida entre duas especialidades: endocrinologia e ginecologia. Nos 45 minutos do segundo tempo optei por ginecologia porque a especialização possibilitava realizar procedimentos cirúrgicos”, contou.

 

Atuação Profissional

 

Desde que se formou pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2001, Raphael fez residência em ginecologia e obstetrícia, mestrado em Saúde Coletiva (epidemiologia) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e doutorado em ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Também possui MBA em Gestão de Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

Ele fez residência em reprodução humana pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialização em vídeo-histeroscopia e vídeo-laparoscopia pelo Instituto Fernandes Figueira. Foi coordenador da residência médica em ginecologia do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) até 2019, onde trabalha, atualmente.

 

Quando perguntado sobre sua postura ao defender assuntos na área da ginecologia e obstetrícia, o médico não hesita.

 

“Meu posicionamento profissional por vezes é criticado pela mídia e ativistas, principalmente, quando falo de questões relacionadas ao parto, aborto e sobre a defesa do médico que nos últimos anos sofreu uma forte campanha difamatória contra nossa profissão. Eu, como médico ginecologista-obstetra, sou intransigente na defesa da saúde e do ato médico e sempre procuro desenvolver estes temas do ponto de vista profissional” responde ele, que ressalta ainda que sempre atuou na saúde pública e nunca teve consultório particular.

 

Realizações e conquistas

 

O médico se orgulha de ter tido sua pesquisa de dissertação de mestrado publicada na Maturitas (revista da Sociedade Europeia de Menopausa), com o tema “A relação entre tabagismo e idade na menopausa: uma revisão sistemática” relacionando o hábito de fumar como um dos fatores que influenciam a idade da menopausa. O estudo teve centenas de citações em periódicos internacionais e nacionais. Já sua tese de doutorado abordou o assunto “Análise Genética da Causa da Metaplasia Óssea Endometrial” e foi publicada na Obstetrics & Gynecology - a mais importante revista de Ginecologia e Obstetrícia do mundo. A publicação mudou o que se sabia até então sobre a etiologia da doença que se acreditava ser resto de aborto, mas por meio de técnicas de DNA forense, provou ser metaplasia verdadeira.

 

Ele conta sobre outro momento marcante de sua carreira como médico.

 

“Tive a oportunidade de discursar no Supremo Tribunal Federal (STF) em uma audiência pública sobre a descriminalização do aborto. Minha participação no STF foi de apenas vinte minutos, mas me abriu muitas portas para lançar minha voz na defesa da vida, da saúde e da medicina” conclui Câmara.