CREMERJ interdita eticamente unidades de saúde no Rio

16/05/2019


O CREMERJ realizou uma coletiva de imprensa nessa quinta-feira, 16, para tratar das interdições éticas realizadas, esta semana, em três unidades de saúde. A principal preocupação foi esclarecer à população e aos médicos os motivos dos bloqueios. O presidente do Conselho, Sylvio Provenzano, o diretor Luís Guilherme dos Santos e o conselheiro Raphael Câmara comandaram a entrevista com os jornalistas.

Em São Gonçalo, foram fechados, na última terça-feira (14), a Unidade de Saúde Familiar Santa Luzia e o Hospital Doutor Luiz Palmier, que manteve a assistência dos pacientes já internados, restringindo somente novas internações.

Já nesta quinta-feira (16), o CREMERJ interditou o Hospital Municipal da Mulher de Cabo Frio, devido à falta de equipamentos e de recursos humanos, principalmente na Unidade Intermediária (UI) Neonatal. Também foi registrado, de janeiro a março deste ano, um aumento significativo no número de óbitos de bebês.

Além disso, o Conselho notificou, na última quarta-feira (15), o Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, por conta de várias inconformidades, como a superlotação da emergência, que devem ser corrigidas para evitar interdição.

“A interdição ética é uma medida extrema e foi decidida pelo conselho com muita tristeza. Sabemos que há muitos problemas na saúde pública, mas os casos encontrados nestas unidades são graves. Visitamos esses locais algumas vezes, notificamos e os reparos não foram feitos. E nós não podemos ser coniventes com isso. As situações colocam em risco a segurança da população e prejudicam o trabalho médico”, explicou o presidente do Cremerj, Sylvio Provenzano.

Todas as interdições e a notificação ética foram realizadas pelo Departamento de Fiscalização do Cremerj, composto por médicos fiscais. Em todos os casos, foi emitido um prazo para que as unidades possam se adequar. Os relatórios também foram enviados para o Ministério Público e a Defensoria Pública para providências cabíveis.

De acordo com Luís Guilherme, as unidades interditadas já tinham passado por vistorias anteriores e os problemas apontados aos gestores.

“O CREMERJ cumpre sua missão institucional em defesa da boa prática médica e de proteção à assistência da população. Foi a primeira interdição cautelar em 26 anos. Esta atitude, que é uma exceção, foi necessária para reconstruirmos a gestão e enfrentarmos os antigos problemas que assolam a saúde pública do Rio de Janeiro. Esperamos que as inconformidades sejam reparadas, para que, durante a visita de retorno, essas unidades possam voltar a atender os pacientes com segurança e qualidade”, destacou o diretor.

 

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