Dois dedos de prosa com Célia Regina da Silva

14/05/2019


A médica Célia Regina da Silva é fruto da união entre uma portuguesa e um carioca. Natural do Rio de Janeiro, ela cresceu estimulada por seus pais a gostar de ouvir música e praticar esportes. Tem um estilo musical muito eclético, mas o clássico é um dos seus preferidos. Na adolescência, foi destaque na natação e conquistou muitas medalhas. É casada com um médico perito-legista e seus hobbies preferidos são viajar e dançar.

Formação

Formada pela Fundação Técnico-Educacional Souza Marques, em 1983, Célia fez residência em ginecologia e obstetrícia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 1984 a 1986, devido sua vontade de trabalhar na área cirúrgica. Mas durante a sua especialização desenvolveu uma nova paixão: a parte endocrinológica da saúde da mulher. Também fez mestrado em Ginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Visão humana e integrativa da Saúde

Célia fala que o marco da sua carreira foi após ser aprovada no concurso para ginecologista da UFRJ.  O novo trabalho, ela conta, a fez ter uma visão mais humana e integrativa da saúde.

"Logo que me formei tinha uma sensação de responsabilidade e de compromisso com os pacientes. Sempre busquei trabalhar o lado mais humano da medicina, mas dentro do ambiente acadêmico ainda há uma visão muito elitista. Foi muito importante para mim ingressar na UFRJ, em 1987, em um projeto de Unidades de Cuidados Básicos da Saúde – muito antes de existir a Saúde da Família. Trabalhava com a atividade docente-assistencial, com uma visão multidisciplinar, e chefiava uma equipe que atendia cerca de 4.500 mulheres na comunidade da Vila do João", relembra.

Vida associativa

Conhecida por sua inquietude, Célia desenvolve diferentes atividades. Na área endocrinológica, atua desde 2004 na Associação Brasileira de Climatério regional Rio de Janeiro (Sobrac-RJ) – entidade responsável por cuidar das mulheres na menopausa. Também integra a Associação Brasileira de Ginecologia Endócrina regional Rio de Janeiro (Sobrage-RJ).

Participou da elaboração dos principais manuais que norteiam os ginecologistas do país, como Consenso de Risco Cardiovascular na Mulher Climatérica (2008) e o Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal da Menopausa (de 2014 e atualizado em 2018). 

Desde 1986 é membro da Associação de Ginecologia do Estado do Rio de Janeiro (Sgorj) e nas duas últimas diretorias (período de 2017 a 2022 e de 2019 a 2022) têm o cargo de vice-presidente. Pela Sgorj, foi membro do Comitê de Mortalidade da SES-RJ (de 85 a 98) e do Comitê de Incentivo de Aleitamento Materno da SES-RJ (de 85 a 2007).

Docência e atuação profissional

A médica também tem formação em nutrologia, fitomedicina e terapia hormonal. Durante a entrevista, explicou o seu foco profissional.

"A minha atuação na saúde da mulher foi muito pautada na ginecologia endócrina com objetivo na reprodução. Há 34 anos desenvolvo atividades no planejamento familiar na UFRJ, e hoje estou muito envolvida nos métodos de longa duração (LARCs). Em paralelo, tenho interesse no acompanhamento da evolução endocrinológica da mulher na menopausa, sempre com uma visão holística, devido a sua formação já citada", destaca. 

Atualmente ela ministra aulas na Universidade Veiga de Almeida (UVA) no curso de pós-graduação em Nutrologia. Também é responsável pela vinda de alguns produtos pela indústria farmacêutica nacional, dentre eles o cranberry, que é usado na prevenção de infecção urinária.

Na área acadêmica participa de congressos nacionais e internacionais, ministrando aulas e apresentando trabalhos.

Em 1989, foi aprovada no concurso para médico perito-legista da Secretaria Estadual de Segurança Pública e atuou nessa função até sua aposentadoria, em 2019.

CREMERJ

Célia Regina é vice-presidente do CREMERJ e responsável por coordenar a Secretaria das Comissões de Câmaras Técnicas (Seccat), setor responsável por promover os cursos de Educação Médica Continuada (EMC).

"Desde o início da nossa gestão, a EMC é uma das nossas prioridades. Através desta atualização podemos interferir diminuindo os processos ético-profissionais", conclui.