Clínicas da família podem entrar em greve novamente

24/10/2018


Diretores do CREMERJ receberam nesta terça-feira, 23, a diretora técnica da Organização Social (OS) Viva Rio, Maria Rita Monteiro, para falar sobre atraso de salário e desabastecimento de medicamentos e insumos em 83 clínicas de família administradas pela entidade. Durante a reunião, os diretores também cobraram um posicionamento sobre a situação no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla.

De acordo com Maria Rita, a Viva Rio tem encontrado dificuldade para fazer o pagamento das equipes de Saúde, devido aos atrasos dos repasses da Prefeitura do Rio de Janeiro. Sobre o abastecimento, ela disse que a responsabilidade é da gestão municipal. A diretora técnica informou que as unidades estão com os estoques de medicamentos e insumos muito abaixo do recomendado e que não há previsão de reposição.

“As unidades de saúde podem entrar em greve a qualquer momento, pois não há mais condições de trabalho. Segundo o comando de greve, nos próximos dias as unidades devem funcionar com apenas 30% das equipes”, adiantou Maria Rita.

O presidente do CREMERJ, Sylvio Provenzano, questionou a gestora sobre quais medidas a OS pretende tomar para contornar a situação. Os diretores presentes na reunião também cobraram uma posição sobre o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, onde as equipes médicas também estão com salários atrasados e com falta de estrutura para o atendimento.  Em razão dos problemas com a falta de insumos e o não pagamento dos salários e dos fornecedores, as enfermarias foram fechadas há um mês e as cirurgias eletivas suspensas. De lá para cá, a unidade não admite nenhum paciente novo e, à medida que os que estão internados vão tendo alta, as vagas passam a ser bloqueadas pela Regulação.

A conselheira Margareth Portela, que coordena o serviço de Neonanatal do Raul Gazolla, contou que a UTI e a maternidade são os únicos serviços que ainda estão aceitando pacientes, mas que a situação é precária. Faltam materiais básicos para o atendimento e muitos funcionários já pediram demissão.

“Vamos chamar novamente os representantes da Secretária Municipal de Saúde do Rio para uma reunião para que ela possa explicar o que está acontecendo. Não é aceitável que, diante da crise que a saúde do Rio está, novas unidades sejam fechadas por conta da falta de repasse”, disse Provenzano.

Também participaram da reunião os diretores Beatriz Rodrigues Abreu da Costa, Rafaella Braga Leal Reis e Flavio Antonio de Sá Ribeiro, além do assessor jurídico Lucas Laupman.