Hospital Ronaldo Gazolla volta a sofrer com a falta de verbas

16/10/2018


Funcionários do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, também conhecido como Hospital de Acari, anunciaram que entrarão em greve a partir desta quarta-feira, 16. A paralisação é um protesto contra o atraso no pagamento dos salários e da falta de estrutura para o atendimento, provocados pela crise financeira da unidade. A diretoria do CREMERJ recebeu gestores da Organização Social (OS) Viva Rio, responsável pela administração do hospital, nesta segunda-feira, 15, para solicitar esclarecimentos.

De acordo com os gestores, há um desequilíbrio no orçamento, provocado pelos atrasos nos repasses da prefeitura. Eles informaram que desde julho do ano passado os pagamentos têm sido feitos de forma irregular. Por conta disso, a OS tem encontrado dificuldade para manter em dia o pagamento de fornecedores e o salário de funcionários, o que tem impactado diretamente no atendimento.

 "Temos notificado a Secretaria Municipal de Saúde do Rio constantemente sobre os problemas que estamos enfrentando, mas nunca tivemos retorno nenhum. Até o momento não há nenhuma previsão de acerto dos meses pendentes, o que nos deixa muito apreensivos. Muitos funcionários estão pedindo demissão e corremos um sério risco de ficar sem diálise, lavanderia, ambulância e laboratório", explicou Carla Lima, representante da Viva Rio.

Em razão dos problemas com a falta de insumos e o não pagamento dos salários e dos fornecedores, as enfermarias foram fechadas há um mês e as cirurgias eletivas suspensas. De lá para cá, a unidade não admite nenhum paciente novo e, à medida que os que estão internados vão tendo alta, as vagas passam a ser bloqueadas pela Regulação. Contudo, a maternidade segue admitindo pacientes, mas pode fechar a qualquer momento também. No ano passado, a unidade suspendeu o atendimento por duas vezes – em agosto e em dezembro – devido aos mesmos problemas.  

"Todos nós sabemos que, se uma unidade fecha, depois há muita dificuldade para reabri-la. É preciso garantir que a unidade não pare sua atividade de forma total, mas para isso é preciso ter garantias de qualidade de atendimento e segurança para quem está trabalhando", acrescentou o diretor do CRM Flávio Antônio de Sá Ribeiro.

O presidente do Cremerj, Sylvio Provenzano, informou que convocará a secretária municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Beatriz Busch, para dar esclarecimentos sobre os repasses. A Defensoria Pública do Estado será acionada para acompanhar o caso da unidade.

"Essa situação é muito grave. São 269 leitos que estão deixando de ser ofertados para a população, que já tem sofrido muito com a redução de atendimento em todo o Estado. Além disso, os médicos não podem continuar trabalhando em situações inadequadas e sem receber seus salários. O CREMERJ vai cobrar das autoridades a resolução deste problema", disse Sylvio.

Também participou da reunião o conselheiro Luis Guilherme Teixeira dos Santos.