CER Barra e Lourenço Jorge – Caos continua

30/07/2018


A pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), a Comissão de Fiscalização (Cofis) do CREMERJ vistoriou, em 17 de julho, a Coordenação de Emergência Regional da Barra (CER Barra) e o Hospital Municipal Lourenço Jorge.

A fiscalização encontrou dificuldades em muitos setores de ambas as unidades, levando à superlotação das duas. Os relatórios foram encaminhados ao MP-RJ para que sejam tomadas as medidas apropriadas.

“Se não bastassem os problemas gerais na Saúde e os cortes feitos pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella no ano passado, há uma nova e grande subtração de recursos, que só vai piorar o que já está ruim”, falou o coordenador da Cofis, Gil Simões.

Coordenação de Emergência Regional - Barra

A equipe encontrou a CER Barra superlotada e com leitos acima da capacidade instalada. De acordo com as estatísticas informadas, a unidade realiza uma média de 450 a 500 atendimentos diários de urgência e emergência nas especialidades de clínica médica e pediatria. As principais causas de lotação estavam ligadas à deficiência na regulação de vagas, que não oferece saída para os pacientes, em especial para os casos mais graves, além do corpo clínico que há um ano está sem processo seletivo e quase 50% dos médicos atualmente são substitutos em regime de RPA – recibo de pagamento autônomo.

Dos 16 leitos ocupados na sala vermelha, oito estavam em ventilação mecânica. Havia paciente há dez dias no setor.

Já na sala amarela adulta, cuja capacidade é para até dez pessoas, havia 19 pacientes internados em leitos sem instalação, sendo três deles em macas de transporte.

Para os serviços de diagnósticos, o raio-X é terceirizado e funciona 24 horas. Com um aparelho fixo e um móvel, este inoperante, não era possível realizar o exame no leito. Na tentativa de ajudar, o Lourenço Jorge disponibilizava um aparelho, mas como a logística é complicada, a rotina de avaliação dos pacientes passou a ser mais lenta.  

Não havia serviço de hemodinâmica disponível, os pacientes eram regulados através do Núcleo Interno de Regulação (NIR), o tempo de espera para a realização do cateterismo costuma levar cerca de uma semana.

Na farmácia, apesar de terem negado desabastecimentos que comprometam os atendimentos, no dia foram encontradas faltas pontuais de antibióticos e niprides. Foi relatado deficiências de diversas medicações para dispensação externa e, como medida paliativa, realizavam trocas e empréstimos com outras unidades de saúde.

 

Hospital Municipal Lourenço Jorge

A Cofis não notou melhoras desde a última visita, em julho de 2016. A unidade é referência para atendimentos de trauma e urgência e emergência cirúrgica, mas também presta suporte clínico ao CER Barra.

No dia, foi constatada a deficiência de especialidades importantes como ortopedistas, neonatologistas, clínicos, cirurgiões gerais e vasculares. Havia déficit também de profissionais administrativos e maqueiros na emergência. Por se tratar de um hospital cirúrgico e ortopédico, a falta destes profissionais interfere na assistência, aumentando o tempo de internação, diminuindo a rotatividade dos leitos e causando superlotação. O volume de atendimento é cerca de cinco mil pacientes mensais, sendo que 85% dos casos são ortopédicos. A diretora do hospital afirmou que dois especialistas responsáveis pelo atendimento e cirurgias são insuficientes e apontou a necessidade de, pelo menos, mais sete ortopedistas, um clínico, um cirurgião, ao menos um vascular por plantão e neonatologistas para a maternidade.

Em relação aos serviços para diagnósticos, a unidade apresentou pontos positivos, como laboratório e raio-X. Porém, até o dia da visita, exames importantes operavam de forma ineficiente como endoscopia digestiva, que atendia apenas três vezes na semana; colonoscopia, cujo aparelho encontrava-se inoperante e sem previsão para conserto; falta CPRE, que dependia de aparelho e equipe especializada, fazendo com que muitos pacientes aguardem por semanas a transferência para uma unidade que ofereça o exame; a tomografia computadorizada não funcionava há, pelo menos, sete meses; também faltava ultrassonografia com Doppler arterial.

Durante a visita, todos os leitos estavam ativos, com exceção de um do setor de pediatria que estava bloqueado para manutenção. De acordo com o relatado pelos colegas do Lourenço Jorge, para maior rotatividade de leitos, seria necessário que houvesse maior oferta de retaguarda, principalmente nos casos oncológicos, renais e hematológicos.

Após o período na sala de trauma, o paciente era encaminhado para as salas amarela e verde, que funcionam como enfermarias de internação. Com os setores superlotados, os pacientes estão sendo internados lado a lado, sem individualização de leitos e sem separação por sexo.

A Cofis não constatou ausência de medicamentos, contudo havia carência de insumos. A falta de rouparia no hospital, por exemplo, levou à suspensão de cirurgias. Também faltava água quente em diversos setores e monitores para a inauguração da Unidade de Cuidados Intermediários, criada para estabilização dos pacientes até a transferência para a terapia intensiva, já que a UTI não suporta acolhê-los.

 

Na foto: paciente internado na CER Barra em leito sem instalação - 17/07/2018