CREMERJ constata superlotação em vistoria no Souza Aguiar

27/07/2018


O CREMERJ fiscalizou o Hospital Municipal Souza Aguiar nessa quinta-feira, 26, e encontrou problemas causados pela falta de verba, em um claro reflexo do contingenciamento realizado pelo governo municipal.

Clique aqui e veja a entrevista do CREMERJ concedida ao Bom Dia Rio (27/07/2018) denunciando os problemas da unidade: https://youtu.be/-jBBMkbIDZE

A Comissão de Fiscalização (Cofis) do CREMERJ, durante a vistoria, constatou que há superlotação na unidade. Na sala verde, que tem capacidade para receber 14 pacientes, tinham 41. A sala amarela, que comporta 18 leitos, abrigava 38 pessoas internadas em macas de transporte, incluindo um paciente com tuberculose. Das dez salas cirúrgicas, apenas seis estavam em uso. Também existe carência de vagas no  Centro de Terapia Intensiva.  Há 52 leitos bloqueados no total, levando pacientes a ficarem internados em macas e poltronas por até quatro dias.

A unidade sofre com grave déficit de médicos de diversas especialidades, como ortopedistas, clínicos, cirurgiões e demais profissionais. Aos sábados e domingos não há urologista de plantão, sendo o hospital a única referência do município do Rio na especialidade.  Nas tardes de sábado e às terças-feiras, existe apenas um cirurgião geral para atendimento. Já no domingo, não há cirurgião vascular.

Para o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, a situação do Souza Aguiar e das demais unidades geridas pelo município do Rio de Janeiro é resultado dos cortes das verbas da Saúde.

"O CREMERJ vem denunciando os cortes no orçamento da Secretaria Municipal de Saúde e suas consequências para a rede, desde o início da atual gestão da prefeitura do Rio, em 2017. É inadmissível que a maior emergência da América Latina  e a  única emergência urológica do município do Rio de Janeiro esteja com déficit de médicos especialistas, além de problemas estruturais na unidade e da falta de medicamentos e equipamentos",  declara o presidente do CREMERJ. 

A organização do hospital também é prejudicada pela falta de pessoal - foram encontrados leitos não identificados ou sem constar a data da internação, e um prontuário de um paciente ortopédico internado na sala verde há seis dias, sem evolução médica. Faltam ainda monitores e cabos de monitorização, gelco, máscara N95 (EPI) e materiais para curativo.

Além disso, as duas enfermarias de cirurgia geral estão fechadas há duas semanas devido a um vazamento, bloqueando um total de 12 leitos a mais. O aparelho de endoscopia digestiva está inoperante há duas semanas e apenas um aparelho de raio-X está em funcionamento. Os profissionais relatam também muita dificuldade para realização de exames: a ressonância e a CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) demoram até 30 dias e o cateterismo, até 40 dias para serem agendados.

No ano passado, o prefeito Marcelo Crivella fez um contingenciamento de R$ 543 milhões na verba do setor, alegando que os cofres públicos estavam deficitários. Entretanto, um levantamento feito pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) revelou que a saúde não foi priorizada no contingenciamento, como determina a Constituição. A atenção hospitalar, por exemplo, perdeu R$ 400 milhões e o programa Saúde Presente – Atenção à Saúde teve o investimento reduzido em R$ 178,2 milhões. Para 2018, especula-se um corte de R$ 800 milhões no orçamento em relação a 2016. Os dados são do portal Rio Transparente.

 

 Na foto: sala verde do Hospital Municipal Souza Aguiar 
superlotada, com  pacientes "internados" em leitos
improvisados
com macas de transporte e cadeiras - 26/07/2018