Médicos do HFB promovem ato contra desmonte da unidade

04/07/2018


Médicos e funcionários do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) promoveram mais um ato público contra o desmonte da unidade. A manifestação aconteceu nesta quarta-feira, 04, e contou com a presença do presidente do CREMERJ, Nelson Nahon e de diversas entidades representativas dos servidores públicos da área da saúde.

Conforme já denunciado pelo CREMERJ, a unidade vem sofrendo com o déficit de insumos, medicamentos e recursos humanos, o que acarreta na quase total desassistência à população.

No dia 4 de junho, em reunião com o CREMERJ, o diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do Núcleo Estadual do Rio de Janeiro (DGH/Nerj), Alessandro Magno Coutinho, garantiu a admissão por meio de contratos temporários de, aproximadamente, mil profissionais para a área de saúde dos hospitais e institutos federais do Estado. Desse número, 300 seriam encaminhados para o HFB, porém, de acordo com o chefe da Divisão Materno Infantil da unidade, Moysés Retchman, apenas dois anestesistas e alguns clínicos foram contratados até o momento.   

“Em relação à falta de recursos humanos, parece que o governo está fazendo uma brincadeira de mau gosto com os médicos e a população. O hospital já passou por muitos problemas de desabastecimento ao longo dos anos, mas essa é a maior crise de todas. Falta desde a escovinha do centro cirúrgico até a lâmina e o material para exame preventivo. A partir deste ato, nós vamos centrar nossas forças na unificação com os demais hospitais que passam pelo mesmo descaso. A maior luta é para trabalhar pelo melhor para o nosso principal protagonista: o paciente”, desabafou Moysés.

Segundo o presidente do corpo clínico do HFB, Baltazar Fernandes, esse ato público teve como finalidade chamar atenção das autoridades competentes e também da população.

“Na realidade estamos denunciando duas situações graves: a primeira é o déficit de recursos humanos, cuja responsabilidade maior é do Ministério da Saúde e do DGH, o que tem acarretado em muitos problemas, como parte da emergência ainda fechada, apesar de tanto tempo e investimento em obras. A segunda é a falta de abastecimento de material e medicamentos, que é uma questão pendente da atual direção do hospital. Nós nunca vivemos um desabastecimento tão importante quanto o atual, sem insumos básicos e medicamentos oncológicos. Essa é a terceira manifestação este ano para tentar uma solução para a unidade e toda a rede federal”, disse Baltazar.

De acordo com o chefe da clínica cirúrgica, Roberto Jamil, as cinco salas do centro cirúrgico da unidade foram reduzidas a apenas uma, apesar da superlotação de pacientes.

“Os doentes estão morrendo sem podermos fazer nada. Nós estamos lotados de pacientes com câncer e não conseguimos operar uma vesícula ou hérnia. Fomos informados que viriam 23 anestesistas, a capacidade é de 40 e, até agora, só contrataram dois. Também não há insumos básicos. Gostaria de, pelo menos, chamar a atenção da população para que se engajem nessa luta pelo melhoramento deste hospital, que sempre foi de ponta dentro da rede pública de saúde”, falou Jamil.

Em sua fala, o presidente do CREMERJ classificou como uma agressão à população o descaso com que o governo federal, o Ministério da Saúde e o DGH vêm tratando a rede federal de saúde e seus médicos.

“O governo federal, o DGH e o Ministério da Saúde estão descumprindo uma uma decisão judicial de novembro de 2017 que determina a contratação imediata de profissionais até a realização de concurso público, em ação do CREMERJ junto à Defensoria Pública da União, Coren-RJ e à Comissão Externa de Parlamentares. Bonsucesso tem sido um exemplo de luta e não podemos nos deixar vencer pelo desânimo. Não faltam profissionais para trabalhar no HFB e nos demais hospitais, não falta população precisando de atendimento, o que falta é respeito do governo com a população. O CRM vem denunciando esse descaso e o próximo passo é promover uma manifestação com a participação de todos os hospitais federais para denunciar essa agressão contra a Saúde e o povo”, concluiu Nelson Nahon.