Hospital Cardoso Fontes segue em situação crítica

22/06/2018


Em nova vistoria no Hospital Federal Cardoso Fontes, no dia 13 de junho, a Comissão de Fiscalização (Cofis) do CREMERJ constatou que a grave carência de recursos humanos e as péssimas condições para o atendimento perduram. Segundo a direção da unidade, para funcionar plenamente, a unidade precisa de 400 novos profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, enquanto o Ministério da Saúde afirma que em toda a rede federal o déficit é de mil profissionais.

Sem previsão para a chegada dos novos profissionais, a unidade está com 24 leitos bloqueados. Com isso, a emergência está superlotada e há muitos pacientes internados no corredor – sete em poltronas, nove em macas, um em cadeira, um em longarina e um em cadeira de rodas. Além disso, por ter uma emergência referenciada, mas que, na prática, funciona com porta aberta, o Cardoso Fontes tem recebido muitos pacientes para internação em especialidades que a unidade não possui, sobrecarregando ainda mais o setor.

Outro problema é a ausência de suporte na oncologia, que não tem enfermaria própria. Devido à falta de médicos, o setor de oncologia parou de receber novos pacientes diretamente. Em razão disso, pacientes diagnosticados com câncer tentam iniciar o tratamento dando entrada através de outras especialidades ou pela emergência, o que sobrecarrega o serviço em cerca de 40%. Dos que conseguem uma consulta oncológica por mês, apenas uma parte inicia a quimioterapia. Além disso, todo o medicamento quimioterápico é comprado com a verba do hospital – que não aumentou em relação ao ano passado – não havendo suplementação.

No último dia 4, em reunião com o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, e representantes do corpo clínico dos hospitais federais, o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), do Núcleo Estadual (Nerj) do Ministério da Saúde no Rio, afirmou que as contratações para a rede federal já tinham começado. Entretanto, de acordo com a direção do Cardoso Fontes, não há informações sobre a chegada dos novos profissionais na unidade.

“A assistência à população está muito prejudicada e o Ministério da Saúde tem que cumprir com o combinado imediatamente. A situação é caótica”, afirma Nahon.

Outra questão preocupante são as aposentadorias dos médicos e demais profissionais, que deverão ocorrer em janeiro, deixando a unidade ainda mais desestruturada.

“Alertamos sobre isso há mais de um ano, mas o Ministério da Saúde não toma nenhuma providência para resolver nem as deficiências e nem se antecipar ao cenário que sabemos que se agravará muito em breve. É uma verdadeira prova de falta de gestão”, frisa o presidente do CREMERJ.

 

Na foto, paciente internado no corredor da unidade havia onze dias